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Desenrola 3.0 prevê compra de dívidas pela União e desconto mínimo de 90%

Nova fase do programa pretende alcançar até R$ 150 bilhões em débitos; especialistas questionam o momento e a forma de implementação da medida

Por Thalyta Andrâde | Economia | Eleições 2026 | Brasil

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) a terceira fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas. O Desenrola 3.0 prevê que a União compre, por meio de leilões, carteiras de dívidas inadimplentes e repasse aos consumidores o desconto obtido na operação. A medida foi formalizada por uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Paulo.

Pelas regras anunciadas, poderão ser incluídas dívidas bancárias e não bancárias de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito, com atraso superior a 720 dias e inferior a 1.645 dias, período equivalente a cerca de dois a quatro anos e meio. Entram débitos de cartão de crédito, nas modalidades rotativo e parcelado, e de crédito pessoal sem consignação em folha.

A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis para a compra. Como a adesão de credores e devedores não deve alcançar todo o estoque, a estimativa oficial é de que cerca de R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados, com potencial de beneficiar até 15 milhões de pessoas. O programa terá até R$ 15 bilhões destinados à aquisição das carteiras.

O desconto mínimo previsto é de 90%. Na prática, se uma carteira for adquirida pela União com 90% de desconto, o mesmo percentual será repassado ao consumidor. O saldo restante poderá ser quitado à vista ou parcelado, mas segundo o governo federal, as condições do financiamento ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A operação deverá ocorrer por meio de leilões, nos quais os credores apresentarão propostas de desconto. O cronograma prevê a publicação do chamamento para entrega das propostas em novembro, apresentação das ofertas em dezembro, homologação em janeiro de 2027 e início dos contratos e do repasse dos descontos em fevereiro.

Segundo dados apresentados pelo governo, o estoque de dívidas não pagas registradas nos órgãos de proteção de crédito chegava a R$ 592 bilhões em agosto, considerando débitos com até cinco anos de atraso. O levantamento apontava 83,9 milhões de pessoas negativadas, com média de quatro dívidas e R$ 7 mil em débitos por pessoa.

O anúncio também gerou avaliações críticas de especialistas. Analistas questionam principalmente o momento e a forma de implementação do pacote, anunciado a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026. Avaliadores também reconhecem que o programa está direcionado a um problema concreto de endividamento.

O governo, por sua vez, apresenta o Desenrola 3.0 como uma medida para ampliar a capacidade de renegociação das famílias. A principal diferença em relação às fases anteriores é a participação direta da União na compra das carteiras de crédito, em vez de deixar a negociação exclusivamente entre consumidor e instituição financeira.

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