Depoimento à Controladoria revela que obra da Construtora New Home tinha 11 apartamentos a mais que o permitido e rachaduras graves; servidora da prefeitura é exonerada de chefia
Sete meses antes do desabamento que matou seis pessoas na Vila Granada, região da Penha, o prédio da Rua Tequici já apresentava risco iminente de colapso e graves irregularidades estruturais. Em depoimento prestado à Controladoria-Geral do Município (CGM), o engenheiro Fabio José de Oliveira afirmou que vistoriou o imóvel em fevereiro a pedido da própria Construtora New Home. Na ocasião, ele identificou rachaduras profundas, adensamento que “puxava e empurrava” as casas vizinhas e a construção de 50 apartamentos — 11 a mais do que os 39 previstos no projeto aprovado pela Prefeitura de São Paulo.
De acordo com Oliveira, a construtora o procurou para tentar adequar a edificação e obter o Habite-se. O especialista recomendou que os vizinhos desocupassem o imóvel ao lado devido ao perigo extremo, calculando que o reforço estrutural custaria entre R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões. A New Home alegou possuir apenas R$ 670 mil e encerrou as negociações. A casa indicada pelo engenheiro como ponto crítico foi destruída pelo desabamento no último dia 12 de setembro.
O avanço das investigações também provocou desdobramentos na administração pública. A prefeitura exonerou Viviane Rodrigues de Palma do cargo de Chefe de Unidade I da Subprefeitura da Penha. Viviane, que permanece afastada preventivamente por até 120 dias, foi a servidora que liberou a continuidade das obras em 2024. Em depoimento, ela admitiu ter vistoriado o local apenas pelo lado de fora, embora tenha registrado em relatório oficial que a estrutura estava regularizada. Enquanto isso, o engenheiro responsável técnico Cristiano Salgado Vivaqua e a empresária Isis de Freitas Rodrigues Brandão continuam foragidos da Justiça.
