Prefeito de SP recorre ao STF contra suspensão determinada por Flávio Dino, enquanto relatórios da Polícia Civil e da PF apontam superfaturamento e desvios de R$ 26 milhões.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta segunda-feira (14) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender os repasses ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) pode forçar o cancelamento do programa “Wi-Fi Livre SP” nas periferias da capital. A entidade, presidida pela empresária Karina da Gama — produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro —, firmou um contrato de R$ 108 milhões com o município em 2024. A Prefeitura de São Paulo recorreu ao ministro Flávio Dino para pedir a revisão da medida, sustentando que a substituição da fornecedora exige um novo chamamento público e que o custo via Prodam seria significativamente mais elevado.
A manifestação da gestão municipal ocorre em meio ao avanço de investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal, que apontam “consistentes suspeitas” de desvio de dinheiro público do programa de internet gratuita para financiar a produção cinematográfica sobre o ex-presidente. Relatórios policiais e do Tribunal de Contas de São Paulo apontam mais de 20 irregularidades no processo de contratação, incluindo a escolha de uma ONG sem experiência em telecomunicações, disparidade de custos — com valores cobrados por ponto muito superiores aos praticados anteriormente — e um repasse excedente de R$ 26 milhões por serviços e pontos não instalados.
Apesar dos indícios apontados pelas autoridades policiais e órgãos de controle, Ricardo Nunes nega qualquer ilegalidade no certame e classifica as denúncias como fruto de disputa política. O prefeito argumenta que o edital seguiu os trâmites legais, ficou aberto para propostas sem impugnações e defende que os valores pactuados eram vantajosos para os cofres públicos. O caso segue sob apuração no STF e na esfera federal para mapear a eventual lavagem de dinheiro por meio das empresas subcontratadas.

