Investigação aponta homicídio doloso qualificado, descarta legítima defesa e destaca uso desproporcional da força e demora no socorro da vítima.
A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo concluiu que a soldado Yasmin Cursino Ferreira agiu com intenção de matar ao atirar contra Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, em Cidade Tiradentes, Zona Leste da capital. O relatório final do Inquérito Policial Militar (IPM) apontou indícios claros de homicídio doloso qualificado, sem qualquer elemento que configure legítima defesa. A apuração, enviada à Justiça Militar, baseou-se em laudos necroscópicos, pericial e na análise das imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos.
Segundo o inquérito, a abordagem teve início após um esbarrão no retrovisor da viatura e escalou para uma discussão motivada pela postura dos policiais. A investigação apontou que Thawanna estava desarmada e que o disparo no abdome foi efetuado de forma desproporcional, sem uso progressivo da força ou existência de risco iminente à vida dos agentes. Além do disparo letal, a apuração revelou que a vítima permaneceu cerca de meia hora caída no chão aguardando o resgate do Samu, fator que agravou a hemorragia interna aguda e contribuiu diretamente para o óbito no hospital.
A soldado Yasmin segue afastada do cargo desde o episódio, ocorrido em abril, enquanto o relatório também registrou transgressão disciplinar contra o soldado Weden Silva Soares por descumprimento de procedimentos operacionais padrão. A família de Thawanna, que era mãe de cinco filhos e trabalhava como ajudante-geral, contestou a versão inicial da corporação e cobra responsabilização criminal pela morte da jovem.
