A 1ª E ÚNICA RÁDIO DE MÚSICA ELETRÔNICA COM JORNALISMO DO BRASIL

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Início » Bahia » Bahia amplia vantagem de Lula, mas renda expõe divisão do eleitorado e Flávio Bolsonaro lidera entre os mais ricos

Bahia amplia vantagem de Lula, mas renda expõe divisão do eleitorado e Flávio Bolsonaro lidera entre os mais ricos

Pesquisa presidencial mostra Lula (PT) com 55% das intenções de voto no estado, contra 24% de Flávio Bolsonaro (PL). O recorte socioeconômico, porém, revela uma Bahia eleitoralmente mais complexa: o petista chega a 63% entre os eleitores de menor renda, enquanto Bolsonaro assume a dianteira na faixa acima de cinco salários mínimos.

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | BAHIA

A Bahia continua funcionando como um dos principais territórios eleitorais de Lula (PT) na corrida presidencial de 2026. Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) aponta o presidente com 55% das intenções de voto no cenário estimulado, abrindo 31 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro (PL), que registra 24%. Bahia – BR-06566-2026 Set26 (1).pdf

O levantamento foi realizado entre os dias 4 e 8 de setembro, com 1.600 eleitores baianos, margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada sob o número BR-06566/2026.

Mais do que confirmar a vantagem petista no estado, os números permitem observar onde estão as principais fronteiras da disputa presidencial na Bahia. O resultado geral esconde diferenças importantes por renda, idade e gênero — e mostra que a vantagem de Lula não se distribui de maneira uniforme pelo eleitorado.

Lula chega a 63% entre os eleitores de menor renda

O dado mais relevante para compreender a força eleitoral do presidente aparece no recorte econômico.

Entre os baianos que recebem até dois salários mínimos, Lula alcança 63%, enquanto Flávio Bolsonaro registra apenas 18%. É justamente esse segmento que possui maior peso na composição da amostra: 67% dos entrevistados estão nessa faixa de renda.

Quando a renda aumenta, entretanto, a distância diminui.

Entre os eleitores que recebem de dois a cinco salários mínimos, Lula aparece com 47%, contra 32% de Flávio Bolsonaro. A vantagem petista, portanto, cai de 45 pontos na faixa de menor renda para 15 pontos nesse segmento intermediário.

A inversão ocorre entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos. Nesse grupo, Flávio Bolsonaro chega a 42%, enquanto Lula registra 22%. O levantamento, portanto, desenha uma divisão socioeconômica bastante clara: quanto menor a renda, maior a vantagem de Lula; no segmento de renda mais elevada, a oposição passa à frente.

Esse recorte é politicamente relevante porque demonstra que uma vantagem estadual expressiva não significa homogeneidade eleitoral. A disputa pela Bahia também passa pela capacidade das campanhas de dialogar com diferentes realidades econômicas.

Eleitor mais velho amplia vantagem de Lula

A idade também modifica significativamente o cenário.

Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Lula aparece com 49%, contra 26% de Flávio Bolsonaro. Na faixa entre 35 e 59 anos, o petista sobe para 55%, enquanto Bolsonaro mantém 26%.

A maior diferença aparece entre os eleitores com 60 anos ou mais: Lula alcança 64%, e Flávio Bolsonaro fica em 16%.

O resultado indica que a vantagem do presidente cresce à medida que aumenta a idade do eleitor. Para a oposição, o eleitorado mais jovem aparece como um segmento comparativamente mais competitivo, embora Lula permaneça na liderança também nessa faixa.

Diferença entre homens e mulheres

O levantamento também aponta comportamentos distintos entre os gêneros.

Lula registra 54% entre os homens e 56% entre as mulheres. Flávio Bolsonaro apresenta movimento inverso: chega a 28% no eleitorado masculino, mas cai para 21% entre as mulheres. Bahia – BR-06566-2026 Set26 (1).pdf

Isso significa que a diferença entre os dois principais candidatos é de 26 pontos entre os homens e sobe para 35 pontos entre as mulheres.

Voto espontâneo reforça liderança petista

Quando os pesquisadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, Lula também permanece na frente.

Na pesquisa espontânea, o presidente é citado por 40% dos entrevistados, contra 20% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury e Renan Santos aparecem com 3% cada; Ronaldo Caiado tem 2%; Pablo Marçal, 1%. Outros somam 2%, enquanto 6% declaram voto branco ou nulo.

Um dado importante nessa modalidade é o percentual de 23% que ainda não sabe ou não respondeu. Bahia – BR-06566-2026 Set26 (1).pdf

A comparação entre espontânea e estimulada sugere que existe uma parcela relevante do eleitorado que reconhece os principais nomes quando apresentados, mas ainda não manifesta espontaneamente uma escolha presidencial.

Segundo turno amplia diferença

Em eventual segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a vantagem cresce.

O presidente aparece com 61%, enquanto o candidato do PL registra 30%. Brancos e nulos representam 6%, e 3% não sabem ou não responderam. Bahia – BR-06566-2026 Set26 (1).pdf

O cenário mostra uma diferença de 31 pontos percentuais e indica dificuldade adicional para Bolsonaro na tentativa de agregar os votos hoje destinados aos demais candidatos.

Rejeição é um dos principais obstáculos de Flávio Bolsonaro

A pesquisa também ajuda a explicar essa dificuldade.

Na pergunta de rejeição múltipla — em que o entrevistado aponta em quem não votaria — Flávio Bolsonaro lidera com 57%. Pablo Marçal aparece com 41%, Renan Santos com 38% e Lula com 32%. Ronaldo Caiado registra 27%, Romeu Zema, 25%, e Augusto Cury, 24%. Bahia – BR-06566-2026 Set26 (1).pdf

O contraste é significativo. Embora Bolsonaro concentre 24% das intenções no cenário estimulado, sua rejeição chega a mais que o dobro desse percentual. Para uma eventual disputa de segundo turno, reduzir essa resistência aparece como um dos desafios centrais da candidatura na Bahia.

Aprovação de Lula ajuda a explicar desempenho eleitoral

Outro elemento importante está na avaliação do governo federal.

Segundo a pesquisa, 61% dos baianos aprovam o trabalho de Lula, enquanto 37% desaprovam e 2% não souberam responder.

Na avaliação qualitativa, 39% classificam o governo como ótimo ou bom, 33% como regular e 27% como ruim ou péssimo. Bahia – BR-06566-2026 Set26 (1).pdf

A proximidade entre os 61% de aprovação e os 61% registrados pelo presidente no confronto de segundo turno sugere uma relação importante entre avaliação administrativa e potencial eleitoral, embora os dados, isoladamente, não permitam estabelecer uma relação causal entre os dois indicadores.

Análise regional: Bahia permanece decisiva, mas há duas disputas dentro do mesmo estado

O retrato da pesquisa aponta para uma eleição com duas Bahias politicamente distintas.

De um lado está o eleitorado de menor renda, numericamente majoritário na amostra, no qual Lula constrói uma vantagem muito ampla. Do outro está uma parcela de maior renda em que Flávio Bolsonaro não apenas reduz a diferença, mas assume a liderança.

Para Lula, o desafio passa por preservar a vantagem entre os segmentos populares e impedir o avanço da oposição entre os eleitores de renda intermediária. Para Flávio Bolsonaro, a equação é mais difícil: ampliar a candidatura para além das faixas de renda mais elevadas e, simultaneamente, enfrentar uma rejeição de 57%.

A Bahia, portanto, segue como território amplamente favorável ao presidente, mas os recortes internos mostram que a disputa presidencial de 2026 não pode ser analisada apenas pelo número agregado. Renda, idade e gênero revelam fronteiras eleitorais que podem orientar a estratégia das campanhas na reta final até outubro.

Anuncie Conosco
São Paulo
Estados