Balanço de 2026 aponta R$ 15,16 milhões em gastos diretamente ligados ao evento e impacto ampliado de até R$ 19,86 milhões; visitantes de outras cidades representaram cerca de 40% do público
Por Gabrielle Tricanico | ECONOMIA E TURISMO | RIBEIRÃO PIRES
O Festival do Chocolate 2026 by Chocolândia terminou com números que dimensionam o peso do evento para a economia de Ribeirão Pires. Durante os quatro fins de semana de programação, cerca de 192 mil pessoas passaram pelo Festival, enquanto a circulação econômica ampliada chegou a R$ 19,86 milhões.
Realizado entre 7 e 30 de agosto, em 12 dias de programação, o evento gerou R$ 15,16 milhões em gastos diretamente relacionados ao Festival. Quando considerados os reflexos da movimentação em outros segmentos da economia local, o impacto estimado sobe para até R$ 19,86 milhões.
Os dados ajudam a mostrar que a festa deixou de representar apenas uma grande programação cultural e gastronômica de agosto. O Festival se tornou também uma ferramenta de turismo, geração de fluxo para o Centro e estímulo ao comércio e aos serviços de Ribeirão Pires.
Quase 77 mil visitantes eram de fora de Ribeirão Pires
Um dos indicadores de maior relevância para a economia regional está na origem do público.
De cada dez registros de visitantes, aproximadamente quatro eram de pessoas vindas de outras cidades. Isso representa cerca de 77 mil passagens de público de fora de Ribeirão Pires.
O número amplia a dimensão regional do Festival dentro do Grande ABC e mostra a capacidade da programação de atrair consumidores para a cidade.
Ao receber moradores de outros municípios, Ribeirão Pires não movimenta apenas os pontos instalados dentro da área do evento. Restaurantes, comércio, serviços e outros estabelecimentos do Centro também podem ser beneficiados pela permanência e circulação desses visitantes.
Festival levou, em média, 16 mil pessoas por dia ao Centro
O balanço foi elaborado pelo Observatório Econômico e Turístico de Ribeirão Pires a partir de 873 entrevistas realizadas durante os quatro fins de semana, além de informações fornecidas pela organização.
A média registrada foi de 16 mil passagens de público por dia, chegando a aproximadamente 48 mil por fim de semana.
A decisão de realizar a programação nas ruas do Centro colocou essa concentração de consumidores em contato direto com a atividade comercial da região central.
Segundo o prefeito Guto Volpi, essa integração estava entre os objetivos do formato adotado para o evento.
“Quando decidimos levar o Festival para as ruas do Centro, nosso objetivo era justamente fazer com que esse movimento chegasse a quem trabalha e empreende na cidade”, afirmou.
Comércio sentiu impacto além da área do Festival
Os reflexos econômicos não ficaram restritos aos 99 pontos de comércio e alimentação que participaram diretamente da programação, incluindo Vila Truck, food trucks e carrinhos gourmet.
O levantamento aponta que 73,2% dos entrevistados visitaram ou pretendiam visitar outros estabelecimentos do Centro durante o Festival.
Esse dado é particularmente importante para avaliar o efeito econômico indireto da festa: significa que uma parcela expressiva do público demonstrou intenção de consumir também fora da estrutura oficial do evento.
Segundo o balanço divulgado, estabelecimentos de roupas e salões relataram crescimento entre 15% e 30% no movimento durante o período. Restaurantes registraram picos de aumento de até 50%.
R$ 15,16 milhões diretamente ligados ao evento
O levantamento separa o impacto diretamente relacionado ao Festival dos reflexos mais amplos sobre a economia.
Foram estimados R$ 15,16 milhões em gastos diretamente ligados à realização do evento.
Com a inclusão dos efeitos sobre outros setores, a circulação econômica ampliada pode ter alcançado R$ 19,86 milhões.
Para o secretário de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo, César Ferreira, a movimentação alcança uma cadeia que inclui comerciantes, restaurantes, fornecedores, prestadores de serviços e trabalhadores da cidade.
Os números também permitem dimensionar a relação entre público e atividade econômica: com 192 mil passagens contabilizadas ao longo dos 12 dias, o Festival criou um fluxo concentrado de consumidores durante quatro fins de semana consecutivos no Centro.
Turismo ganha peso na economia de Ribeirão Pires
O desempenho também reforça uma característica estratégica para Ribeirão Pires: o município possui o título de Estância Turística e busca transformar eventos de grande porte em instrumentos para atrair visitantes e movimentar a economia local.
Nesse cenário, o dado de aproximadamente 77 mil visitantes de outras cidades ganha importância porque demonstra que uma parcela significativa do público precisou se deslocar até Ribeirão Pires para participar da programação.
O desafio econômico passa a ser transformar esse fluxo eventual em consumo no comércio, alimentação, serviços e outras experiências turísticas oferecidas pelo município.
Famílias dominaram o perfil do público
A pesquisa também traçou o perfil de quem participou da edição de 2026.
Entre os entrevistados, 59% estavam acompanhados de familiares, enquanto as mulheres representaram 70,2% da amostra.
A avaliação do evento também foi elevada: a nota média chegou a 8,88, em uma escala de zero a dez. Mais de 86% dos entrevistados atribuíram notas entre 8 e 10.
Os resultados consolidam o Festival do Chocolate como uma das principais vitrines de Ribeirão Pires e mostram que seu impacto ultrapassa os palcos e a gastronomia.
Ao atrair milhares de moradores de outras cidades e espalhar parte desse consumo pelo Centro, a edição de 2026 reforça o papel dos grandes eventos na estratégia de turismo, comércio e desenvolvimento econômico de Ribeirão Pires e do Grande ABC.