Pesquisa Real Time Big Data mostra Paes na frente com 35%, enquanto Douglas Ruas chega a 21% e encurta a distância. Série histórica revela queda do líder, avanço do PL e uma eleição para o Senado ainda bastante fragmentada.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | RIO DE JANEIRO
A corrida pelo Governo do Rio de Janeiro entra em setembro com Eduardo Paes (PSD) ainda na liderança, mas com um sinal político que merece atenção: o favoritismo permanece, porém a vantagem vem diminuindo enquanto Douglas Ruas (PL) avança.
A pesquisa Real Time Big Data, registrada sob o número RJ-08350/2026 e divulgada nesta quarta-feira, 2 de setembro, ouviu 2 mil eleitores entre 28 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
No principal cenário estimulado para governador, Eduardo Paes aparece com 35%, seguido por Douglas Ruas, com 21%. Garotinho (Republicanos) registra 7%, William Siri (PSOL) tem 5%, Coronel Busnello (Missão), 4%, e André Marinho (Novo), 3%. Cyro Garcia (PSTU) e Juliete (UP) aparecem com 1% cada. Brancos e nulos são 11%, enquanto 12% não souberam ou não responderam.
O dado mais importante não é apenas quem lidera, mas quem está crescendo
A fotografia atual favorece Paes. A tendência, porém, revela uma eleição menos confortável para o PSD do que os números isolados poderiam sugerir.
No histórico apresentado pelo levantamento, Eduardo Paes tinha 53% em outubro de 2025, caiu para 46% em março deste ano, passou para 37% em julho e agora aparece com 35%.
Douglas Ruas percorreu o caminho inverso e chega agora aos 21%. Garotinho, por sua vez, recua para 7%.
É justamente aqui que está um dos principais sinais políticos da pesquisa.
Paes continua sendo o candidato mais competitivo, mas deixou de ocupar sozinho praticamente metade do tabuleiro eleitoral. A passagem de 53% para 35% representa uma redução de 18 pontos percentuais na série apresentada.
Douglas Ruas aparece como o principal beneficiário dessa mudança. Aos 21%, ocupa com mais clareza o espaço de principal adversário do PSD e abre uma distância relevante sobre os demais concorrentes.
O levantamento, portanto, aponta para uma polarização em formação, embora ainda não consolidada.
Quase metade não cita candidato espontaneamente
Quando os entrevistados precisam responder espontaneamente, sem receber uma lista de candidatos, Eduardo Paes aparece com 20% e Douglas Ruas com 10%. Garotinho registra 3%.
Mas o número que mais chama atenção está fora das candidaturas: 47% não sabem ou não respondem, enquanto 14% afirmam voto branco ou nulo.
O resultado mostra que existe um contingente expressivo de eleitores que ainda não manifesta espontaneamente uma candidatura.
Esse universo pode ser decisivo na reta final.
Segundo turno confirma vantagem de Paes
Em uma eventual disputa direta entre Eduardo Paes e Douglas Ruas, o candidato do PSD aparece com 41% contra 30% do representante do PL. Outros 13% votariam branco ou nulo e 16% permanecem indecisos.
A vantagem de 11 pontos mantém Paes como favorito neste momento, mas o desempenho de Ruas mostra que o candidato do PL já alcançou um patamar competitivo para uma eventual segunda etapa da eleição.
Contra Garotinho, a situação de Paes é mais confortável: 45% contra 25%, diferença de 20 pontos.
Os números indicam que, entre os cenários testados, Douglas Ruas representa hoje o adversário mais competitivo para Eduardo Paes em uma eventual disputa direta.
Rejeição é o grande obstáculo de Garotinho
Se intenção de voto mede a força eleitoral, a rejeição ajuda a revelar os limites de crescimento de cada candidatura.
E neste quesito Garotinho enfrenta o cenário mais difícil.
O candidato do Republicanos registra 61% de rejeição, a maior entre os nomes pesquisados. Eduardo Paes aparece com 42% e Douglas Ruas registra 29%.
O resultado ajuda a explicar por que Garotinho, embora seja um nome amplamente conhecido da política fluminense, encontra dificuldades para transformar notoriedade em intenção de voto.
Na análise de votabilidade, 62% afirmam conhecer Garotinho e não votar nele, enquanto apenas 4% dizem que votariam com certeza.
Paes também enfrenta rejeição significativa, mas combina esse problema com potencial eleitoral maior. Entre os entrevistados, 17% afirmam que votariam nele com certeza e 34% consideram a possibilidade, totalizando 51% entre voto certo e possibilidade de voto.
Douglas Ruas apresenta um perfil diferente: 10% afirmam que votariam nele com certeza e 32% consideram a possibilidade. Ao mesmo tempo, 30% dizem ainda não conhecê-lo suficientemente para opinar.
Esse dado pode representar uma oportunidade e também um desafio para o PL: Ruas ainda tem espaço para ampliar conhecimento, mas precisará converter essa exposição em intenção efetiva de voto.
Mulheres ampliam vantagem de Paes
Os recortes demográficos revelam diferenças importantes entre os dois principais candidatos.
Entre os homens, Paes aparece com 31% e Ruas com 23%. Entre as mulheres, a vantagem do PSD cresce: 38% para Paes contra 19% de Douglas Ruas.
A renda também revela uma mudança no equilíbrio.
Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Paes registra 38% contra 19% de Ruas.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, são 36% para Paes e 21% para Ruas.
Já entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, a disputa fica muito mais apertada: Paes tem 29% e Ruas chega a 26%.
O recorte revela uma das principais fronteiras da campanha. Paes apresenta desempenho mais forte entre o eleitorado de menor renda, enquanto Douglas Ruas se aproxima significativamente do líder entre os entrevistados de renda mais elevada.
Senado tem disputa completamente aberta
Se a corrida pelo Governo do Rio começa a apresentar dois nomes destacados, a eleição para as duas vagas do Senado está muito mais fragmentada.
No cenário consolidado de primeiro e segundo votos reduzidos para 100%, Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos) aparecem empatados com 14%, seguidos por Pedro Paulo (PSD), com 13%.
Carlos Jordy (PL) registra 11%. Carlos Portinho (PL) e Monica Benicio (PSOL) aparecem com 9% cada, enquanto Waguinho (Republicanos) tem 8%.
Em outro cenário apresentado pelo levantamento, Benedita e Crivella chegam a 18% cada, enquanto Pedro Paulo e Carlos Jordy aparecem com 11%. Carlos Portinho e Monica Benicio registram 9%.
Como o eleitor poderá escolher dois candidatos para preencher as duas vagas em disputa, a leitura exige atenção especial ao primeiro e ao segundo voto.
Isso torna a corrida pelo Senado potencialmente mais imprevisível do que a eleição para o Palácio Guanabara.
Governo estadual também entra no cálculo eleitoral
O levantamento avaliou ainda a administração estadual.
Segundo a pesquisa, 50% aprovam e 43% desaprovam o governo de Ricardo Couto. Outros 7% não souberam ou não responderam.
Na avaliação qualitativa, 28% classificam o trabalho como ótimo ou bom, 36% como regular e 34% como ruim ou péssimo.
O resultado mostra um eleitorado dividido sobre a atual administração estadual, elemento que também poderá influenciar a disputa sucessória.
Análise Guardiã: Paes continua favorito, mas a eleição mudou de natureza
A principal conclusão da pesquisa não está simplesmente no fato de Eduardo Paes permanecer na liderança.
O ponto central é que Paes lidera uma eleição que começa a apresentar um adversário mais claramente posicionado no segundo lugar.
A passagem de 53% para 35% na série histórica apresentada pelo levantamento é significativa. Ao mesmo tempo, Douglas Ruas chega aos 21% e se distancia dos demais adversários.
Isso não significa que a liderança de Paes esteja ameaçada imediatamente.
O candidato do PSD mantém uma vantagem de 14 pontos no principal cenário de primeiro turno e também aparece à frente nos confrontos de segundo turno pesquisados.
Mas a configuração eleitoral ficou mais competitiva.
Há ainda outro elemento fundamental: o enorme contingente que não aponta espontaneamente um candidato e os 23% que aparecem entre brancos, nulos e indecisos no principal cenário estimulado.
É justamente nesse eleitorado que boa parte da batalha das próximas semanas deverá acontecer.
Paes terá como desafio interromper a trajetória de perda registrada na série histórica e preservar sua vantagem.
Douglas Ruas, por outro lado, precisará transformar crescimento em voto consolidado, ampliar seu conhecimento junto ao eleitorado e diminuir a diferença entre mulheres e entre as camadas de menor renda.
Os demais candidatos enfrentam uma corrida contra o tempo para impedir que a eleição se concentre definitivamente entre PSD e PL.
No Senado, a situação é ainda mais imprevisível. Benedita da Silva, Marcelo Crivella e Pedro Paulo aparecem no grupo principal, mas Carlos Jordy, Carlos Portinho e Monica Benicio permanecem suficientemente próximos para manter aberta a disputa pelas duas cadeiras.
A fotografia de setembro ainda mostra Eduardo Paes como favorito. A tendência, entretanto, acende um alerta para sua campanha: enquanto o líder perdeu terreno ao longo da série histórica, Douglas Ruas avançou e assumiu o posto de principal perseguidor. A eleição para o Governo do Rio entra na reta decisiva com uma disputa mais competitiva do que aquela desenhada meses atrás.
