Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (26) mostra Professora Dorinha com 33% e Vicentinho Júnior com 30% na corrida pelo Palácio Araguaia; em eventual segundo turno, cenário se inverte e tucano aparece com 41% contra 40%. Levantamento também aponta Eduardo Gomes à frente na disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | TOCANTINS
A disputa pelo Governo do Tocantins entra em uma fase de forte equilíbrio. Pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta quarta-feira, 26 de agosto, mostra Professora Dorinha, do União Brasil, com 33% das intenções de voto, contra 30% de Vicentinho Júnior, do PSDB, no principal cenário estimulado.
A diferença de apenas três pontos percentuais coloca os dois principais nomes da corrida estadual em uma faixa competitiva, especialmente diante da margem de erro do levantamento, de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
O levantamento Realtime Big Data está registrado sob o número TO-09655/2026 e foi divulgado em 26 de agosto. Foram realizadas 1.600 entrevistas com eleitores do Tocantins entre os dias 21 e 25 de agosto, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.
Dorinha tem 33% e Vicentinho chega a 30%
No cenário estimulado apresentado aos entrevistados, Professora Dorinha registra 33%, enquanto Vicentinho Júnior aparece logo atrás, com 30%.
Mais distante da dupla está Laurez Moreira, do PSD, com 11%. Ataídes de Oliveira, do Novo, soma 7%, enquanto Professor Witer Naves, do PSOL, registra 4%.
Outros candidatos somam 1%. Os votos nulos ou brancos representam 8%, e 6% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O resultado revela uma corrida concentrada, neste momento, em Dorinha e Vicentinho. Somados, os dois alcançam 63% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto os demais candidatos permanecem em patamares significativamente inferiores.
A diferença entre a primeira e a segunda colocação, porém, é pequena o suficiente para transformar cada movimento da campanha, alianças regionais, desempenho nos debates e capacidade de mobilização no interior em fatores potencialmente decisivos.
Espontânea mostra eleitorado ainda pouco consolidado
Um dos dados mais importantes da pesquisa aparece quando os entrevistados precisam responder espontaneamente, sem receber uma lista de candidatos.
Nesse cenário, 58% não sabem ou não respondem em quem votariam para governador.
Professora Dorinha aparece com 12%, Vicentinho Júnior com 11%, Laurez Moreira com 4% e Ataídes de Oliveira com 2%. Outros nomes somam 4%, enquanto brancos e nulos representam 9%.
O elevado índice de indecisão espontânea indica que, apesar da vantagem dos dois líderes quando os nomes são apresentados ao eleitor, uma parcela expressiva do eleitorado tocantinense ainda não consolidou espontaneamente sua escolha.
Isso amplia a importância das próximas semanas de campanha. Mais do que simplesmente preservar os atuais percentuais, os candidatos terão de converter conhecimento de nome e intenção estimulada em voto efetivamente consolidado.
Segundo turno entre Dorinha e Vicentinho seria decidido no detalhe
Se o primeiro turno mostra Dorinha numericamente à frente, uma eventual disputa direta entre os dois líderes apresenta cenário ainda mais apertado — e com inversão das posições.
Na simulação de segundo turno, Vicentinho Júnior registra 41% e Professora Dorinha aparece com 40%. Brancos e nulos representam 9%, enquanto 10% não sabem ou não responderam.
A diferença é de apenas um ponto percentual.
O resultado reforça que não há, neste levantamento, vantagem estatisticamente segura entre os dois em um confronto direto. Também mostra que a dinâmica eleitoral pode mudar substancialmente entre primeiro e segundo turnos, quando os votos dos demais candidatos passam a ser disputados pelos dois finalistas.
Dorinha abre vantagem contra Laurez; Vicentinho também venceria candidato do PSD
A Realtime Big Data testou ainda outros confrontos de segundo turno.
Contra Laurez Moreira, Professora Dorinha aparece em situação mais confortável: 49% contra 33%. Brancos e nulos chegam a 9% e outros 9% não sabem ou não responderam.
Vicentinho Júnior também supera Laurez em uma eventual segunda etapa. O tucano registra 47% contra 34% do candidato do PSD, com 9% de votos brancos ou nulos e 10% de indecisos.
Os números consolidam Dorinha e Vicentinho como os dois principais polos eleitorais captados pela pesquisa neste momento.
Rejeição é desafio para Laurez e também atinge os líderes
A rejeição adiciona outra camada importante à análise da corrida pelo Palácio Araguaia.
Na pergunta em que o eleitor poderia indicar em quais candidatos não votaria, Laurez Moreira registra a maior rejeição, com 39%.
Na sequência aparecem Ataídes de Oliveira, com 35%; Professor Witer Naves, com 32%; Professora Dorinha, também com 32%; Vicentinho Júnior, com 27%; Du Pereira, com 22%; e Subtenente Luiz Carlos, com 21%.
O dado merece atenção porque Dorinha, apesar de liderar o primeiro turno, apresenta rejeição superior à de Vicentinho. Em uma eleição apertada, a capacidade de reduzir resistências pode se tornar tão importante quanto ampliar a intenção direta de voto.
Vicentinho apresenta potencial de voto relevante
O levantamento também mede a chamada votabilidade dos candidatos.
Entre os entrevistados, 22% afirmam que votariam com certeza em Vicentinho Júnior e outros 32% considerariam a possibilidade de votar nele. Outros 35% dizem conhecê-lo e não votar nele, enquanto 11% afirmam não conhecê-lo suficientemente para opinar.
No caso de Professora Dorinha, 24% dizem que votariam com certeza e 27% considerariam a possibilidade. Outros 40% afirmam conhecê-la e não votar nela, enquanto 9% não a conhecem suficientemente para opinar.
Os números ajudam a explicar o equilíbrio observado nas simulações. Dorinha possui uma parcela ligeiramente maior de voto considerado certo, enquanto Vicentinho apresenta percentual maior entre aqueles que admitem considerar seu nome.
Renda mostra diferenças importantes entre os dois líderes
O recorte socioeconômico apresentado no gráfico da página 10 também revela diferenças no perfil das candidaturas.
Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, Dorinha aparece com 31%, contra 32% de Vicentinho, praticamente empatados.
Na faixa de dois a cinco salários mínimos, Dorinha alcança 34%, enquanto Vicentinho registra 29%.
A maior diferença surge entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos: Dorinha chega a 42% e Vicentinho fica com 27%.
Esse recorte sugere que a liderança de Dorinha no cenário geral é impulsionada, entre outros segmentos, por desempenho mais elevado nas faixas superiores de renda, enquanto a disputa entre os eleitores de menor renda permanece muito mais apertada.
Senado: Eduardo Gomes aparece na frente
A pesquisa Realtime Big Data também mediu a corrida pelas duas vagas do Tocantins no Senado Federal.
No cenário consolidado dos primeiro e segundo votos, reduzidos para 100%, Eduardo Gomes, do PL, lidera com 26%.
Alexandre Guimarães, do MDB, aparece em segundo lugar, com 18%, seguido por Gaguim, do União Brasil, com 10%.
Vanderlei Luxemburgo, do Podemos, registra 9%; Ronaldo Dimas, também do Podemos, tem 8%; Eli Borges, do Republicanos, soma 7%; e Paulo Mourão, do PT, aparece com 6%.
Professor Osvaldo, do PSOL, tem 3%. Fábio Ribeiro, Hélio Rodrigues Bolsonaro e Nilton Santos aparecem com 1% cada. O levantamento ainda apresenta Apóstolo Flávio Braga e Osvany Luz, além de 5% de votos nulos ou brancos e 5% de eleitores que não souberam ou não responderam.
Como o Tocantins escolherá dois senadores em 2026, a leitura dessa disputa precisa considerar a possibilidade de o eleitor indicar até dois candidatos, característica que torna a corrida proporcionalmente diferente da disputa majoritária pelo governo.
Primeiro voto reforça liderança de Eduardo Gomes
Quando a Realtime separa primeiro e segundo votos para o Senado, Eduardo Gomes mantém posição de destaque.
No primeiro voto, Gomes registra 31%, Alexandre Guimarães aparece com 17%, Gaguim tem 11%, Vanderlei Luxemburgo e Ronaldo Dimas aparecem com 9% cada, Paulo Mourão tem 6% e Eli Borges, 5%.
No segundo voto, Eduardo Gomes aparece com 20%, Alexandre Guimarães com 19%, Vanderlei Luxemburgo com 10%, Gaguim, Ronaldo Dimas e Eli Borges com 8% cada, e Paulo Mourão com 6%.
O desenho mostra Eduardo Gomes particularmente forte como primeira escolha, enquanto a disputa pela segunda vaga apresenta maior fragmentação.
Pesquisa aponta eleição aberta no Tocantins
O retrato produzido pela Realtime Big Data indica que o Tocantins chega à reta decisiva da campanha com duas disputas de características diferentes.
Para o governo, Professora Dorinha e Vicentinho Júnior formam um bloco claramente destacado dos demais candidatos, mas separados por uma distância pequena. Dorinha lidera o cenário estimulado por 33% a 30%, enquanto Vicentinho passa numericamente à frente por 41% a 40% quando os dois são colocados frente a frente em uma simulação de segundo turno.
Para o Senado, Eduardo Gomes aparece na liderança, enquanto Alexandre Guimarães ocupa a segunda posição no consolidado. Atrás deles, diferentes candidaturas disputam espaço em um cenário que ganha complexidade pelo fato de o eleitor tocantinense poder escolher dois nomes.
O dado que pode ser decisivo para compreender as próximas semanas, entretanto, está na pesquisa espontânea: 58% dos entrevistados ainda não apontam espontaneamente um candidato ao Governo do Tocantins.
É justamente nesse contingente que está uma das maiores oportunidades — e também um dos maiores riscos — para as campanhas.
Com margem estreita entre os líderes, elevada indefinição espontânea e possibilidade concreta de segundo turno, a pesquisa Realtime Big Data indica que a eleição para o Governo do Tocantins permanece aberta e altamente competitiva.
