Levantamento da Realtime Big Data mostra Flávio Bolsonaro com 40% e Lula com 39% no Rio Grande do Sul, em empate técnico, enquanto Renan Santos chega a 7% e alcança 12% entre os jovens; Pablo Marçal registra 5%, e Caiado e Zema aparecem com 2% cada. Pesquisa também revela profundas divisões por renda, gênero e idade no eleitorado gaúcho.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | RIO GRANDE DO SUL
A disputa pela Presidência da República no Rio Grande do Sul permanece fortemente polarizada entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas os números da Realtime Big Data revelam um movimento que merece atenção: candidatos que estão fora dos dois principais polos começam a ocupar espaços específicos do eleitorado gaúcho, principalmente entre os mais jovens e nas faixas de renda mais elevadas.
No cenário estimulado, Flávio Bolsonaro aparece com 40%, enquanto Lula registra 39%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Logo atrás aparece Renan Santos (Missão), com 7%, seguido por Pablo Marçal (PRTB), com 5%. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) registram 2% cada, enquanto Augusto Cury (Avante) aparece com 1%.
Os demais candidatos — Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) — somam 1%, segundo o levantamento. Brancos e nulos representam 2%, enquanto 1% não soube ou não respondeu.
Os dados foram confirmados também na divulgação pública da pesquisa nesta terça-feira (25). (CNN Brasil)
Realtime Big Data mostra disputa além da polarização
Apesar de Flávio e Lula concentrarem juntos 79% das intenções de voto, a soma dos demais candidatos revela um eleitorado que pode assumir papel estratégico ao longo da campanha e, principalmente, em um eventual segundo turno.
Renan Santos é o principal nome desse segundo bloco.
Com 7% no resultado geral, o candidato do Missão já aparece isolado na terceira colocação. Mais importante do que o percentual agregado é observar onde esses votos estão concentrados.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Renan chega a 12%, seu melhor resultado entre as faixas etárias pesquisadas.
Nesse mesmo segmento, Flávio Bolsonaro registra 43%, Lula aparece com 35% e Pablo Marçal marca 5%.
O desempenho sugere que existe entre os jovens gaúchos uma parcela do eleitorado menos rigidamente concentrada nos dois principais candidatos. É justamente nessa faixa que Renan consegue alcançar dois dígitos.
Entre os eleitores de 35 a 59 anos, ele registra 7%. Já entre aqueles com 60 anos ou mais, cai para apenas 1%, conforme o recorte por idade apresentado pela Realtime Big Data na página 9 do levantamento.
Isso mostra que o crescimento das candidaturas alternativas não ocorre de maneira uniforme: ele possui perfil geracional definido.
Renan Santos chega a 12% também entre os eleitores de maior renda
O recorte por renda reforça essa leitura.
Entre os entrevistados com renda superior a cinco salários mínimos, Renan Santos aparece novamente com 12%.
É um percentual expressivo quando comparado aos 7% registrados pelo candidato na média estadual.
Nesse grupo, Flávio Bolsonaro lidera com 50%, Lula tem 25% e Renan ocupa a terceira posição com 12%.
Entre quem recebe de dois a cinco salários mínimos, Renan registra 7%. Já entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, cai para 3%.
A pesquisa, portanto, desenha um eleitorado bastante específico para a candidatura do Missão no Rio Grande do Sul: jovem e com presença proporcionalmente maior entre as rendas mais altas.
Esse é um dos movimentos mais relevantes fora da polarização apresentados pelo levantamento.
Pablo Marçal aparece com 5%, mas alcança 7% entre adultos
Pablo Marçal aparece na quarta colocação, com 5% das intenções de voto no cenário estimulado.
Seu desempenho também varia conforme o perfil do eleitor.
Entre os homens, Marçal chega a 6%, contra 4% entre as mulheres.
No recorte etário, registra 5% entre os eleitores de 16 a 34 anos e sobe para 7% entre aqueles de 35 a 59 anos. Entre os eleitores de 60 anos ou mais, aparece com apenas 1%.
Na faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos, Marçal alcança 6%, contra 5% entre quem recebe até dois salários mínimos e 2% entre os entrevistados com renda superior a cinco salários.
Isso coloca Marçal em uma posição diferente da de Renan: enquanto o candidato do Missão ganha força principalmente entre jovens e renda mais alta, Marçal encontra seu melhor desempenho entre eleitores de meia-idade e renda intermediária.
Caiado e Zema ainda têm espaço reduzido no eleitorado gaúcho
Ronaldo Caiado e Romeu Zema aparecem empatados numericamente, com 2% cada no cenário geral.
Mas também existem diferenças internas.
Caiado alcança 4% entre os eleitores com 60 anos ou mais, enquanto registra apenas 1% entre os mais jovens. Na renda acima de cinco salários mínimos, chega a 3%.
Zema, por sua vez, apresenta desempenho de 3% entre os eleitores de 35 a 59 anos e registra 2% na média estadual.
Neste momento, portanto, os dois governadores ainda não conseguiram transformar sua projeção política nacional em intenção de voto expressiva no Rio Grande do Sul.
A campanha será decisiva para saber se conseguirão romper a barreira dos baixos dígitos ou se permanecerão comprimidos pela polarização entre PT e PL.
Augusto Cury aparece com 1% e candidaturas menores tentam ganhar visibilidade
Augusto Cury registra 1% na pesquisa estimulada.
Os demais nomes apresentam percentuais individualmente inferiores e, somados, alcançam 1%: Rui Costa Pimenta, Samara, Edmilson Costa, Hertz Dias, Clariana Barão e Veterinário Wilson Grassi.
Embora ainda tenham pouca expressão numérica, essas candidaturas também integram uma disputa que tende a ganhar maior exposição com o avanço da propaganda eleitoral e das entrevistas presidenciais.
O desafio será converter visibilidade em conhecimento eleitoral e, posteriormente, em intenção de voto.
Espontânea mostra espaço enorme para crescimento
Um dos dados mais importantes para compreender o potencial de crescimento dos candidatos aparece na pesquisa espontânea.
Quando a Realtime Big Data pergunta em quem o eleitor votaria sem apresentar previamente os nomes dos candidatos, Lula registra 24%, Flávio Bolsonaro 20%, Renan Santos 3% e Ronaldo Caiado 2%. Outros candidatos somam 3%.
Mas 43% dos entrevistados ainda não sabem ou não responderam espontaneamente em quem pretendem votar. Outros 5% dizem que votariam branco ou nulo.
Esse contingente ajuda a explicar por que os candidatos menores ainda podem crescer.
A pesquisa espontânea mede, entre outros fatores, a lembrança consolidada dos nomes. O fato de mais de quatro em cada dez entrevistados ainda não indicarem espontaneamente um presidenciável demonstra que existe espaço para mudanças durante a campanha.
É nesse universo que Renan Santos, Pablo Marçal, Caiado, Zema e os demais candidatos precisam buscar crescimento.
Flávio e Lula continuam tecnicamente empatados no primeiro turno
Apesar do avanço das demais candidaturas em determinados segmentos, a eleição gaúcha continua dominada pelos dois principais polos.
Flávio Bolsonaro tem 40%, contra 39% de Lula. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro e configura empate técnico.
A polarização, porém, muda significativamente quando se observa quem sustenta cada candidatura.
Entre os homens, Flávio chega a 46%, enquanto Lula registra 32%.
Entre as mulheres, acontece o movimento inverso: Lula alcança 45%, contra 35% de Flávio.
A diferença de gênero é uma das divisões eleitorais mais fortes identificadas pela pesquisa.
Idade divide o Rio Grande do Sul eleitoralmente
A idade produz outra fronteira importante.
Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Flávio lidera com 43%, contra 35% de Lula.
Na faixa dos 35 aos 59 anos, Flávio aparece com 41%, enquanto Lula registra 36%.
A situação se inverte completamente entre os eleitores com 60 anos ou mais: Lula alcança 47%, contra 36% de Flávio.
É justamente entre os jovens que também aparece o melhor resultado de uma candidatura fora da polarização, com Renan Santos chegando aos 12%.
O cenário mostra que a renovação geracional do eleitorado pode produzir efeitos não apenas sobre a disputa entre PT e PL, mas também sobre a consolidação de novos nomes nacionais.
Renda revela dois Rio Grandes do Sul
O recorte econômico é ainda mais contundente.
Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula alcança 50%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 32%.
Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, a liderança muda: Flávio aparece com 42% e Lula com 38%.
Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, a distância aumenta: Flávio chega a 50%, enquanto Lula cai para 25%.
É justamente neste segmento que Renan Santos atinge 12%.
Os números da página 10 da pesquisa mostram que a renda é uma das variáveis que mais alteram o comportamento eleitoral gaúcho.
Quanto menor a renda, maior é a vantagem de Lula. Conforme aumenta a renda familiar, cresce significativamente o desempenho de Flávio Bolsonaro — e também aparece maior espaço para uma candidatura alternativa como a de Renan.
Segundo turno amplia vantagem de Flávio
No cenário de segundo turno testado pela Realtime Big Data, Flávio Bolsonaro aparece com 52% e Lula com 42%.
Brancos e nulos são 3%, e outros 3% não sabem ou não responderam.
A vantagem chega, portanto, a dez pontos percentuais.
O movimento é particularmente relevante porque no primeiro turno apenas um ponto separa os dois.
Isso sugere, dentro desse cenário específico da pesquisa, que Flávio apresenta maior capacidade de receber os votos hoje destinados aos demais candidatos caso a disputa seja reduzida aos dois nomes.
É exatamente por isso que Renan, Marçal, Caiado, Zema e os demais candidatos ganham importância estratégica: além de disputarem crescimento próprio no primeiro turno, seus eleitores podem ser decisivos para definir um eventual segundo.
Rejeição mostra limite para os dois líderes
A polarização também carrega elevados índices de rejeição.
Lula é rejeitado por 51% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 48%. Considerando a margem de erro, os dois estão tecnicamente no mesmo patamar de rejeição. (CNN Brasil)
Pablo Marçal apresenta rejeição de 39%.
Ronaldo Caiado aparece com 35%, Renan Santos com 31%, Zema com 28% e Wilson Grassi com 27%.
Augusto Cury registra 25%.
Esse é outro elemento importante para avaliar o potencial dos candidatos menores: alguns deles apresentam intenção de voto reduzida, mas também rejeição inferior à dos líderes, o que teoricamente oferece maior espaço para tentar ampliar conhecimento e apoio ao longo da campanha.
Isso, contudo, não significa automaticamente que crescerão. A pesquisa registra apenas a fotografia atual do eleitorado e não permite prever a evolução futura das candidaturas.
Desaprovação de Lula chega a 56% no Rio Grande do Sul
A pesquisa também ajuda a explicar as dificuldades enfrentadas pelo presidente no Estado.
56% dos gaúchos entrevistados desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 43% aprovam e 1% não sabe ou não respondeu.
Na avaliação qualitativa, 45% consideram o governo ruim ou péssimo, 32% classificam como ótimo ou bom e 22% consideram regular.
Mesmo diante da desaprovação majoritária, Lula mantém 39% no cenário estimulado, sinal de que conserva uma base eleitoral relevante no Rio Grande do Sul.
Pesquisa mostra eleição polarizada, mas terceiro bloco começa a ganhar identidade
A principal fotografia da Realtime Big Data no Rio Grande do Sul continua sendo o empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Mas olhar apenas para os dois líderes deixa de fora uma parte importante da história eleitoral revelada pelos números.
Renan Santos aparece com 7% e alcança 12% entre jovens e também entre eleitores de renda superior a cinco salários mínimos. Pablo Marçal tem 5% e chega a 7% entre eleitores de 35 a 59 anos. Caiado e Zema registram 2% cada, enquanto Augusto Cury tem 1%.
Ainda é um bloco pequeno diante dos 79% concentrados em Flávio e Lula, mas é justamente essa parcela que poderá definir se haverá espaço para uma terceira candidatura crescer — e para onde irão esses votos em eventual segundo turno.
Com 43% dos entrevistados ainda sem indicar espontaneamente um candidato, a fotografia da Realtime mostra que, apesar da polarização consolidada, uma parcela significativa do eleitorado gaúcho ainda está em processo de formação de voto.
Metodologia
A pesquisa Realtime Big Data ouviu 1.600 eleitores do Rio Grande do Sul entre os dias 20 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi divulgado em 25 de agosto e está registrado sob o número BR-02823/2026.
