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Eleições 2026 no RS: Juliana Brizola lidera para o governo, Zucco encosta e disputa ao Senado tem Van Hattem e Manuela na frente

Pesquisa Realtime Big Data mostra Brizola com 38%, Zucco com 32% e Gabriel Souza com 19%; levantamento também revela diferenças importantes entre regiões sociais do eleitorado e aponta cenário aberto para as duas vagas gaúchas no Senado

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | RIO GRANDE DO SUL

A corrida eleitoral no Rio Grande do Sul entra em uma fase decisiva com uma disputa pelo Palácio Piratini concentrada principalmente entre Juliana Brizola (PDT) e Zucco (PL), enquanto Gabriel Souza (MDB) tenta ampliar seu espaço e transformar a eleição em uma disputa mais equilibrada entre três forças.

Pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta terça-feira, 25 de agosto, coloca Juliana Brizola na liderança da disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul, com 38% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Zucco aparece em segundo, com 32%, seguido por Gabriel Souza, com 19%. Marcelo Maranata (PSDB) registra 4%. Outros somam 1%, enquanto votos nulos e brancos e eleitores que não souberam ou não responderam representam 3% cada.

O levantamento está registrado sob o número RS-09640/2026 e foi divulgado em 25 de agosto. Foram realizadas 1.600 entrevistas com eleitores do Rio Grande do Sul entre os dias 20 e 24 de agosto. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Brizola também aparece na frente no voto espontâneo

Um dos dados que reforçam a posição de Juliana Brizola é a pesquisa espontânea, quando os entrevistados precisam indicar um nome sem receber uma lista de candidatos.

Nesse cenário, Brizola registra 16%, contra 13% de Zucco e 7% de Gabriel Souza. Marcelo Maranata aparece com 2% e Eduardo Leite é citado por 1%. Outros nomes somam 2%, enquanto 6% afirmam voto branco ou nulo.

O número mais significativo, porém, está nos indecisos: 53% não souberam ou não responderam. Isso significa que, apesar da vantagem dos primeiros colocados, mais da metade do eleitorado ainda não apresenta espontaneamente uma escolha para governador.

Para as campanhas, esse contingente representa o principal território de disputa das próximas semanas.

Eleitorado feminino impulsiona vantagem de Juliana Brizola

O recorte por gênero, apresentado na página 8 da pesquisa, ajuda a explicar a liderança de Juliana Brizola.

Entre as mulheres, a candidata do PDT alcança 43%, enquanto Zucco registra 29%. Gabriel Souza tem 19% e Marcelo Maranata, 4%.

Entre os homens, o cenário se inverte: Zucco aparece com 35%, contra 32% de Juliana Brizola. Gabriel Souza registra 18% e Maranata, 4%.

O dado mostra uma divisão relevante na composição eleitoral: Brizola constrói uma vantagem expressiva entre as mulheres, enquanto Zucco apresenta desempenho superior entre os homens. Como as mulheres correspondem a 53% da amostra, esse diferencial ajuda a compreender a liderança geral da pedetista.

Jovens dão vantagem expressiva a Brizola; faixa intermediária fica empatada

O comportamento eleitoral também muda significativamente conforme a idade.

Entre os eleitores de 16 a 34 anos, Juliana Brizola alcança 40%, seguida por Zucco, com 28%, e Gabriel Souza, com 22%.

Na faixa dos 35 aos 59 anos, entretanto, Brizola e Zucco aparecem rigorosamente empatados, com 36% cada. Gabriel Souza tem 18%.

Entre os eleitores de 60 anos ou mais, Juliana volta a assumir a dianteira, com 39%, contra 31% de Zucco e 17% de Gabriel Souza.

O recorte mostra que o principal ponto de equilíbrio da eleição está justamente no eleitorado de meia-idade, enquanto Brizola abre suas maiores vantagens entre os mais jovens.

Renda revela outro mapa da disputa gaúcha

O levantamento também mostra uma diferença importante conforme a renda.

Entre quem recebe até dois salários mínimos, Juliana Brizola chega a 43%, contra 25% de Zucco e 16% de Gabriel Souza.

Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, Brizola e Zucco empatam com 36%, enquanto Gabriel Souza alcança 19%.

Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, o quadro muda: Zucco aparece com 36%, Brizola com 33% e Gabriel Souza sobe para 23%.

A leitura regional e socioeconômica da pesquisa, portanto, revela uma eleição marcada por eleitorados distintos: Brizola apresenta sua maior vantagem nas camadas de menor renda, enquanto Zucco melhora conforme aumenta a renda do entrevistado. Gabriel Souza também registra seu melhor resultado justamente no segmento de renda mais elevada.

Segundo turno entre Brizola e Zucco seria apertado

Se os dois primeiros colocados avançarem para o segundo turno, a disputa se torna significativamente mais equilibrada.

Juliana Brizola aparece com 45%, enquanto Zucco registra 41%. Brancos e nulos somam 7%, mesmo percentual dos que não sabem ou não responderam.

A diferença nominal é de apenas quatro pontos percentuais, mostrando que a vantagem mais confortável de Brizola no primeiro turno diminui em uma eventual disputa direta contra o candidato do PL.

Em outro cenário, Zucco vence Gabriel Souza por 43% a 38%, com 9% de brancos e nulos e 10% de indecisos.

Já em uma disputa entre Juliana Brizola e Gabriel Souza, a candidata do PDT aparece em posição mais confortável: 48% contra 35%. Brancos e nulos são 8%, e 9% não sabem ou não respondem.

Rejeição é um dos maiores desafios para Zucco

A pesquisa também mede em quais candidatos os entrevistados afirmam que não votariam.

Zucco registra a maior rejeição, com 41%, seguido de perto por Juliana Brizola, com 38%. Gabriel Souza aparece com 25%, Marcelo Maranata com 20%, Cesar Pontes com 19%, Priscila Voigt com 18% e Rejane de Oliveira também com 18%. A pergunta admite rejeição múltipla.

O dado cria um desafio para os dois líderes. Embora concentrem as maiores intenções de voto, Brizola e Zucco também acumulam os maiores índices de resistência.

Na reta final, portanto, a disputa não depende apenas da capacidade de conquistar novos eleitores, mas também da possibilidade de reduzir rejeições e ampliar o voto para além dos grupos que já sustentam cada candidatura.

Gabriel Souza tem espaço para crescer, mas precisa converter eleitor potencial

Outro indicador importante aparece na análise de votabilidade.

No caso de Gabriel Souza, 8% afirmam que votariam nele com certeza e 43% dizem considerar a possibilidade de voto. Outros 27% afirmam conhecê-lo e não votar nele, enquanto 22% dizem não conhecê-lo suficientemente para opinar.

Isso significa que o candidato do MDB apresenta um contingente relevante de eleitores que ainda não consolidaram o voto, mas admitem considerá-lo.

Juliana Brizola registra 20% de voto certo e 32% de possibilidade de voto, enquanto 41% dizem conhecê-la e não votar nela. Apenas 7% afirmam não conhecê-la suficientemente.

Zucco, por sua vez, tem 19% de voto certo e 25% que consideram votar, contra 44% que dizem conhecê-lo e não votar nele e 12% que não o conhecem suficientemente.

Os números ajudam a dimensionar um aspecto central da eleição: Gabriel Souza parte de um patamar menor na intenção estimulada, mas possui um universo considerável de eleitores que ainda admitem votar nele. O desafio do MDB é transformar essa possibilidade em voto efetivo.

Eduardo Leite tem aprovação de 56%, mas avaliação positiva é de 34%

A pesquisa também mede a percepção do eleitor gaúcho sobre o governo de Eduardo Leite.

Segundo o levantamento, 56% aprovam a administração estadual, enquanto 38% desaprovam e 6% não sabem ou não responderam.

Quando o entrevistado precisa qualificar a administração, porém, os números são diferentes: 34% classificam o governo como ótimo ou bom, 38% como regular e 25% como ruim ou péssimo. Outros 3% não responderam.

Esse dado é especialmente relevante para a disputa regional porque indica que a aprovação geral do governo não se converte integralmente em uma avaliação positiva de sua gestão. A forma como esse legado será apropriado — ou contestado — pelos candidatos tende a ser um dos elementos da campanha pelo Piratini.

Senado: Van Hattem e Manuela lideram, mas disputa está fragmentada

A corrida pelas duas vagas gaúchas no Senado Federal também apresenta forte competitividade.

No cenário consolidado de primeiro e segundo votos, reduzidos para 100%, Marcel Van Hattem (Novo) aparece com 20%, seguido por Manuela D’Ávila (PSOL), com 19%. Sanderson (PL) registra 17%.

Pimenta (PT) e Rigotto (MDB) aparecem empatados com 15% cada. Frederico Antunes (PSD) registra 5%.

Quando são observados separadamente primeiro e segundo votos, surge uma dinâmica ainda mais interessante.

No primeiro voto, Van Hattem e Manuela aparecem empatados com 23%. Sanderson tem 16%, Pimenta 15%, Rigotto 14% e Frederico Antunes 3%.

No segundo voto, Sanderson lidera com 18%, seguido por Van Hattem, com 16%, Manuela D’Ávila, com 15%, Pimenta, com 14%, e Rigotto, com 15%, conforme o gráfico apresentado na página 29 do levantamento.

O desenho mostra uma disputa muito mais fragmentada do que a corrida ao governo. Como o eleitor gaúcho poderá escolher dois candidatos para as duas vagas em disputa, alianças, voto cruzado e capacidade de se apresentar como segunda opção podem ter peso decisivo.

Pesquisa desenha um Rio Grande do Sul eleitoralmente dividido

Mais do que apontar quem está na frente, os dados da Realtime Big Data revelam diferentes comportamentos dentro do eleitorado gaúcho.

Juliana Brizola lidera a corrida estadual e apresenta desempenho especialmente forte entre mulheres, jovens e eleitores de menor renda. Zucco permanece competitivo, lidera entre homens e melhora seu desempenho nas faixas superiores de renda. Gabriel Souza ocupa a terceira posição, mas possui um contingente significativo de eleitores que ainda consideram votar nele.

O segundo turno reforça a dimensão dessa polarização: uma eventual disputa entre Brizola e Zucco seria bem mais apertada do que os números do primeiro turno.

No Senado, o quadro é ainda mais pulverizado, com Van Hattem, Manuela D’Ávila, Sanderson, Pimenta e Rigotto disputando posições em uma eleição na qual o comportamento do segundo voto poderá ser tão importante quanto a preferência principal do eleitor.

A pesquisa divulgada em 25 de agosto, portanto, retrata uma fotografia do momento — e não uma previsão do resultado das urnas. Com 53% ainda sem indicar espontaneamente um candidato a governador, existe um contingente expressivo de eleitores a ser conquistado, o que mantém aberta a disputa política no Rio Grande do Sul.

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