Prefeitura esclarece que área onde está prevista futura Unidade de Conservação não será usada como bota-fora; solo fértil, sementes, galhos e matéria orgânica retirados durante intervenções autorizadas serão reaproveitados na recuperação ambiental.
Por Gabrielle Tricanico | ALTO TIETÊ | MOGI DAS CRUZES
As obras da Ponte da Volta Fria, uma das intervenções viárias importantes para a ligação de Jundiapeba com outros pontos de Mogi das Cruzes e o acesso em direção a Suzano, terão uma frente específica de compensação e recuperação ambiental. Como parte das condicionantes do licenciamento, materiais orgânicos e vegetais provenientes das intervenções autorizadas serão destinados ao Vale das Pedras, área municipal onde está prevista a criação de uma Unidade de Conservação.
A ação será realizada pela Prefeitura de Mogi das Cruzes em articulação com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER/SP).
O objetivo é evitar o descarte de materiais com potencial ambiental e reaproveitar elementos retirados da área da obra na futura recuperação do Vale das Pedras.
Vale das Pedras receberá solo fértil e banco de sementes
Entre os materiais previstos estão a camada superficial e fértil do solo, banco de sementes, matéria orgânica, galhos, troncos e outros componentes vegetais.
Esse conjunto é importante porque conserva parte do chamado banco de germoplasma, reunindo material biológico que pode contribuir posteriormente para o enriquecimento do solo e para a recomposição da cobertura vegetal.
Na prática, elementos existentes na área diretamente afetada pela implantação do empreendimento poderão ganhar uma nova função ambiental no Vale das Pedras, reduzindo perdas e auxiliando os trabalhos de recuperação da área.
Prefeitura esclarece movimentação de máquinas
A movimentação de equipamentos pesados observada no Vale das Pedras está relacionada, segundo a administração municipal, à preparação e organização do terreno para receber os materiais.
A secretária municipal de Clima e Meio Ambiente, Patrícia Cesare, explicou que essa é a finalidade das intervenções atualmente realizadas no local.
A Prefeitura também ressalta que o Vale das Pedras não será utilizado como bota-fora para entulho, resíduos da construção civil ou material excedente das operações de terraplenagem da Ponte da Volta Fria.
A destinação prevista é exclusivamente para materiais vegetais e orgânicos associados às medidas ambientais estabelecidas para o empreendimento.
A diferenciação é relevante diante do impacto visual provocado pela movimentação de máquinas e materiais em uma área destinada à futura conservação ambiental.
Ponte da Volta Fria terá investimento de R$ 22 milhões
Além da questão ambiental, a intervenção tem importância para a mobilidade regional.
A Estrada da Volta Fria conecta a Via Perimetral à Avenida Guilherme Giorgi, em Jundiapeba, e possui acesso à Estrada do Furuyama, ligação que permite seguir em direção ao município de Suzano.
O projeto prevê três intervenções principais: construção de uma nova ponte, implantação de uma rotatória e posterior demolição da ponte atualmente existente.
O investimento informado para a obra é de R$ 22 milhões.
A melhoria dessa conexão tem impacto especialmente para moradores e motoristas que circulam entre Jundiapeba, a região da Volta Fria e os acessos entre Mogi das Cruzes e Suzano, reforçando a importância regional da intervenção.
Licenciamento ambiental será acompanhado por Mogi e DER
A Prefeitura de Mogi das Cruzes e o DER/SP deverão acompanhar a execução das medidas estabelecidas no processo de licenciamento ambiental.
O reaproveitamento do solo fértil, sementes e matéria vegetal passa, portanto, a integrar as ações ambientais vinculadas à implantação da nova Ponte da Volta Fria.
Ao mesmo tempo em que avança com uma obra de infraestrutura de R$ 22 milhões, o município terá o desafio de garantir que as condicionantes ambientais sejam efetivamente cumpridas e que o material levado ao Vale das Pedras seja utilizado exclusivamente para a finalidade de recuperação ambiental anunciada.
