Por Thiago Prezia
A primeira semana de campanha foi cheia de propaganda. Senador, deputado federal, deputado estadual e, em São Paulo, muita imagem do governador Tarcísio. Só faltou uma coisa: o candidato a presidente.
E repare em quem está fazendo essa propaganda: na maioria, gente e partidos do centrão. É por isso que o topo da chapa aparece vazio. Não é esquecimento, é conta feita. Quem não fala o nome do candidato a presidente está esperando o jogo definir para escolher lado.
E aqui vale lembrar uma regra velha da política brasileira: apoio não é presente, é empréstimo. O partido que dá tempo de televisão, o cacique que entrega palanque na cidade, o grupo que garante a federação — nada disso é de graça. A cobrança vem depois, e vem com nome: ministério, estatal, cargo, emenda liberada. Quem chega devendo, governa devendo.
O centrão e alguns outros interesseiros não tem projeto. Tem termômetro. Ele não constrói vitória, ele entra na vitória dos outros e cobra o pedágio. Foi o que se viu esta semana: silêncio, cautela, ninguém se comprometendo cedo demais.
Enquanto isso, a direita de verdade foi crescendo sozinha. No digital, na igreja, no campo, no comércio. Sem carona e sem padrinho.
Uma coisa é o candidato correr atrás do apoio e pagar o preço que pedirem. Outra é o apoio correr atrás do candidato, e chegar sem poder de exigir nada. No primeiro caso, você monta um ministério de sócios. No segundo, monta um governo de gente que você escolheu.
Governar sem sócio é governar com pauta. É colocar técnico no lugar de indicado. É demitir sem abrir crise. É dizer não para uma emenda sem que o Orçamento vire refém. Porque a verdade é dura: quase nenhuma promessa de campanha morre por falta de vontade. Morre na primeira reunião de coalizão.
Preciso ser honesto também: uma semana é pouco. Crescimento de largada é vitrine, e esse vazio no topo da chapa pode ser estratégia. Tem quem diga, com razão, que governo sem base grande no Congresso trava e vive em crise. O teste vem quando a disputa apertar e aparecer alguém oferecendo “estrutura” em troca de “espaço”.
Mas fica o recado desta primeira semana: a base já sabe o que quer e está dizendo em alto e bom som. Falta a campanha ter coragem de escrever isso lá no alto do palanque.
O Brasil já teve governo comprado no atacado. Talvez esteja na hora de tentar um que não deva nada a ninguém.
