Encontro em Ribeirão Pires aproxima empresários e representantes do Amapá do mercado do Grande ABC; cacau, chocolate, açaí, café e outros produtos amazônicos estão no centro da articulação
Por Gabrielle Tricanico | GRANDE ABC | RIBEIRÃO PIRES
O Festival do Chocolate 2026, em Ribeirão Pires, tornou-se também uma vitrine para uma articulação econômica que pretende aproximar duas regiões com características produtivas distintas: o Grande ABC e o Amapá. A iniciativa reúne representantes institucionais e empresários em torno da bioeconomia e da possibilidade de criar novos canais comerciais para produtos amazônicos no mercado paulista.
Durante a cobertura especial da Guardiã da Notícia, o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, Aroaldo Oliveira, explicou que a aproximação com o Amapá faz parte de uma estratégia mais ampla de conexão da região com outros estados e mercados.
O diálogo ganhou força a partir das discussões sobre a criação e o desenvolvimento de um centro de bioeconomia no Grande ABC. Nesse processo, produtos como cacau, chocolate, açaí e café passaram a ser observados não apenas pelo potencial de consumo, mas também pela possibilidade de integração entre empresas e cadeias produtivas.
A presença da Cunani Cacau no Festival do Chocolate é um dos primeiros resultados visíveis dessa aproximação. A empresa do Amapá trouxe para Ribeirão Pires chocolates e sabores ligados à biodiversidade amazônica, permitindo que o público do ABC tenha contato direto com produtos que ainda buscam ampliar sua presença no mercado paulista.
A articulação vai além do chocolate. Representantes do Amapá destacaram durante a entrevista o potencial de expansão de produtos de maior valor agregado ligados à biodiversidade, incluindo café, açaí e derivados de matérias-primas amazônicas.
Para o Grande ABC, a aproximação também possui peso estratégico. A região concentra um dos maiores mercados consumidores brasileiros e possui uma estrutura empresarial e industrial capaz de funcionar como plataforma para novos negócios, distribuição e desenvolvimento de produtos.
Segundo Aroaldo, a intenção é construir uma relação de complementariedade: ao mesmo tempo em que produtos e experiências do Amapá encontram espaço no mercado consumidor do ABC, o contato com a bioeconomia amazônica pode ajudar a região paulista a estruturar novas cadeias produtivas e ampliar sua diversificação econômica.
Chocolate do Amapá ganha vitrine em Ribeirão Pires
A Cunani Cacau iniciou sua trajetória empresarial em 2020 e levou ao festival produtos desenvolvidos a partir da identidade e dos ingredientes da Amazônia. A participação em Ribeirão Pires representa uma oportunidade de apresentar a marca diretamente a um público consumidor de outra região do país.
A história da empresa também acompanha um movimento maior do chocolate brasileiro: produtores nacionais vêm buscando agregar valor ao cacau produzido no país, desenvolvendo chocolates de maior qualidade e ampliando a participação em eventos, premiações e mercados internacionais.
Festival também vira ambiente de negócios
A presença da missão amapaense amplia o papel econômico do Festival do Chocolate. Além de movimentar gastronomia, turismo, cultura e comércio em Ribeirão Pires, o evento passa a funcionar como ponto de encontro entre empreendedores e instituições interessados em novas oportunidades.
A Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC pretende continuar estabelecendo conexões semelhantes. A estratégia é aproximar a região de outras cadeias produtivas brasileiras e, posteriormente, ampliar pontes internacionais.
Com isso, Ribeirão Pires deixa de ser apenas o endereço de uma das principais festas gastronômicas do Grande ABC durante o período do festival e passa a ocupar também uma posição de vitrine para uma discussão maior: como transformar biodiversidade, inovação, produção regional e acesso a grandes mercados consumidores em novos negócios.
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