Encontro coloca integridade das Eleições 2026 no centro da disputa paulista; cinco chapas aderiram ao compromisso proposto pela Justiça Eleitoral
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO
A corrida pelo Palácio dos Bandeirantes ganhou um capítulo institucional nesta quarta-feira (19). Candidatos ao Governo de São Paulo e representantes das chapas que disputam as Eleições 2026 participaram de uma reunião no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e foram convidados a assumir um compromisso público em defesa da democracia e da integridade do processo eleitoral.
O encontro foi conduzido pelo presidente do TRE-SP, desembargador José Antonio Encinas Manfré, e colocou no centro do debate um dos principais desafios desta eleição: o combate à desinformação e a preservação da confiança da população na Justiça Eleitoral.
Cinco chapas aderiram ao chamado “Compromisso pela Democracia”. A divergência ficou por conta do PSTU, cuja representante decidiu não assinar o documento e apresentou por escrito ao presidente do tribunal as razões da recusa.
TARCÍSIO E ADVERSÁRIOS NA MESMA MESA
Participaram presencialmente da reunião o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição; Márcio França (PSB), candidato a vice na chapa de Fernando Haddad (PT); Vivian Mendes (UP); Edjane Lima (Agir); além de uma representante de Fabiana Medrado (PCB).
A presença de representantes de diferentes campos políticos deu ao encontro um significado que vai além da assinatura de um documento. Em uma eleição marcada pela polarização, o TRE-SP tenta estabelecer um ponto comum entre adversários: o reconhecimento das regras eleitorais e a responsabilidade dos candidatos diante da circulação de conteúdos falsos ou manipulados.
PSTU FICA FORA DO COMPROMISSO
A vice da chapa do PSTU, Renata França, não assinou o documento. Em vez da adesão, entregou uma carta ao presidente do TRE-SP apresentando as justificativas da legenda.
A recusa diferencia o partido das demais chapas presentes, mas não deve ser interpretada, isoladamente, como rejeição à democracia. O posicionamento político do PSTU e os argumentos apresentados pelo partido precisam ser considerados para compreender as razões da decisão.
DESINFORMAÇÃO ENTRA DEFINITIVAMENTE NA AGENDA ELEITORAL
A iniciativa do TRE-SP ocorre em um momento estratégico da campanha. Com as Eleições 2026 em andamento e a disputa pelo maior colégio eleitoral do país avançando para as ruas e redes sociais, a disseminação de informações falsas, conteúdos manipulados e ataques à credibilidade do sistema eleitoral tende a ocupar espaço crescente no debate público.
São Paulo tem peso decisivo no cenário nacional e concentra uma disputa de grande repercussão política. Por isso, movimentos institucionais do TRE-SP também funcionam como sinalização de que a Justiça Eleitoral pretende acompanhar de perto a conduta das campanhas.
O compromisso assinado não elimina divergências entre os candidatos — nem poderia. A disputa continuará marcada por diferenças ideológicas, críticas e confrontos políticos. O ponto central é outro: estabelecer que essa disputa ocorra dentro das regras democráticas e eleitorais.
Para o eleitor paulista, o encontro também inaugura uma nova etapa da campanha: além das propostas para segurança, saúde, educação, infraestrutura, emprego e desenvolvimento econômico, os candidatos passam a ser observados também pela maneira como conduzem o debate público e lidam com a informação durante a corrida pelo Governo de São Paulo.
