Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (18) coloca Sérgio Moro com 37% na disputa pelo Governo do Paraná, contra 22% de Sandro Alex e 20% de Requião Filho. No Senado, Deltan Dallagnol aparece numericamente à frente, enquanto Alexandre Curi e Filipe Barros empatam com 17%.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | PARANÁ
A corrida eleitoral no Paraná entra em uma fase decisiva com uma vantagem expressiva de Sérgio Moro (PL) na disputa pelo governo e um cenário muito mais fragmentado para as duas vagas do estado no Senado. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira, 18 de agosto, mostra Moro com 37% das intenções de voto no cenário estimulado para governador, abrindo 15 pontos percentuais sobre Sandro Alex (PSD), com 22%, enquanto Requião Filho (PDT) aparece com 20%.
O levantamento está registrado sob o número PR-09262/2026 e foi divulgado em 18 de agosto. Foram realizadas 1.600 entrevistas com eleitores do Paraná entre os dias 13 e 17 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
Moro lidera também na pesquisa espontânea
A vantagem do candidato do PL não aparece apenas quando os nomes são apresentados aos entrevistados. Na pesquisa espontânea — aquela em que o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos — Moro é citado por 15%. Sandro Alex aparece com 8%, Requião Filho com 6% e Ratinho Junior, atual governador, é mencionado por 5%.
O dado mais importante, entretanto, é o tamanho do eleitorado ainda sem uma escolha consolidada: 53% não souberam apontar espontaneamente em quem votariam. Outros 10% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto.
Esse índice mostra que, embora Moro tenha construído uma vantagem significativa no cenário estimulado, a eleição paranaense ainda possui um contingente expressivo de eleitores que não transformou preferência política em voto espontâneo.
Segundo turno amplia vantagem de Moro
A pesquisa também testa confrontos diretos para um eventual segundo turno, e Moro mantém a dianteira.
Contra Requião Filho, o candidato do PL chega a 55%, enquanto o pedetista registra 27%. Brancos e nulos representam 9%, mesmo percentual dos que não souberam ou não responderam.
No confronto entre Moro e Sandro Alex, a distância diminui, mas permanece significativa: são 45% para Moro e 30% para Sandro Alex. Nesse cenário, 14% votariam em branco ou nulo e 11% não souberam responder.
Sem Moro na disputa de segundo turno, o quadro muda radicalmente. Sandro Alex registra 33% e Requião Filho, 30%, diferença de três pontos percentuais. Considerando a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos das duas candidaturas se sobrepõem.
Voto em Moro cresce entre eleitores de maior renda e mais velhos
O recorte socioeconômico revela uma característica importante da atual liderança de Moro. Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, ele aparece com 25%, enquanto Requião Filho chega a 29% e Sandro Alex registra 16%.
A situação se inverte conforme aumenta a renda. Na faixa de dois a cinco salários mínimos, Moro alcança 40%, contra 24% de Sandro Alex e 18% de Requião Filho. Entre aqueles com renda superior a cinco salários mínimos, Moro chega a 49%, Sandro Alex marca 28% e Requião Filho cai para 9%.
Também existe diferença relevante por idade. Moro registra 29% entre os eleitores de 16 a 34 anos, sobe para 39% na faixa de 35 a 59 anos e chega a 44% entre aqueles com 60 anos ou mais.
Por gênero, a liderança também apresenta intensidade diferente: Moro tem 41% entre os homens e 34% entre as mulheres. Entre o eleitorado feminino, Requião Filho aparece com 22% e Sandro Alex com 21%.
Rejeição impõe desafios aos principais candidatos
A liderança eleitoral não elimina um ponto de atenção para Moro: sua rejeição.
Quando os entrevistados são questionados sobre em quem não votariam, Requião Filho aparece com a maior rejeição, 41%, seguido de Sérgio Moro, com 38%, e Sandro Alex, com 29%.
Luiz França registra 23%; Tayná Miessa, 21%; Alexandre Salomão, 20%; Adriano Teixeira e Samuel de Mattos aparecem com 17% cada.
Politicamente, o cruzamento entre intenção de voto e rejeição ajuda a dimensionar o desafio da campanha: Moro inicia esta fotografia eleitoral com vantagem confortável no primeiro turno, mas também carrega resistência relevante de uma parcela do eleitorado. Requião Filho enfrenta obstáculo ainda maior nesse indicador, enquanto Sandro Alex apresenta rejeição inferior à dos dois adversários que hoje concentram parte importante da disputa.
Ratinho Junior mantém forte aprovação no Paraná
Outro elemento que pode pesar na eleição é a avaliação do atual governo estadual.
Segundo o levantamento, 80% aprovam a administração do governador Ratinho Junior, enquanto 18% desaprovam e 2% não souberam responder. Na avaliação qualitativa, 58% classificam o trabalho do governador como ótimo ou bom, 30% como regular e 11% como ruim ou péssimo.
A popularidade do atual governador transforma seu capital político em um componente relevante da campanha estadual. A pesquisa, porém, mede avaliação de governo e intenção de voto separadamente; portanto, os números não permitem concluir automaticamente como essa aprovação será transferida para qualquer candidatura.
Senado tem disputa muito mais apertada
Se a corrida pelo Palácio Iguaçu apresenta um líder destacado, a eleição para o Senado Federal mostra um cenário bem mais pulverizado.
No cenário consolidado de primeiro e segundo votos, reduzidos para 100%, Deltan Dallagnol (Novo) aparece com 19%, enquanto Alexandre Curi (Republicanos) e Filipe Barros (PL) registram 17% cada. Gleisi Hoffmann (PT) tem 15% e Cristina Graeml (PSD), 13%. Dr. Rosinha (PT) aparece com 5%, enquanto Joaquim do MLB (UP) e Karen Guerreiro (Missão) registram 1% cada.
Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, os números indicam uma disputa especialmente competitiva na faixa superior. Além disso, o eleitor paranaense poderá escolher até dois candidatos ao Senado, já que duas vagas estão em disputa em 2026.
Análise: Paraná tem duas eleições com dinâmicas diferentes
A fotografia apresentada pela Real Time Big Data revela, neste momento, duas disputas eleitorais com comportamentos distintos no Paraná.
Para governador, Moro possui uma vantagem relevante, lidera espontaneamente, amplia a diferença nos confrontos de segundo turno e alcança seus melhores índices entre eleitores de renda mais alta e de maior idade. O desafio será administrar uma rejeição de 38% e transformar a liderança estimulada em voto consolidado até outubro.
Sandro Alex e Requião Filho, por outro lado, aparecem separados por apenas dois pontos no primeiro turno — 22% a 20% —, diferença que está dentro da margem de erro. A batalha entre os dois pelo segundo lugar, portanto, pode se tornar um dos principais movimentos da campanha.
No Senado, a lógica é outra: não existe, pelos números apresentados, uma candidatura isolada com vantagem comparável à observada na disputa pelo governo. Deltan Dallagnol, Alexandre Curi, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Cristina Graeml formam um bloco competitivo, num cenário que tende a ganhar ainda mais importância porque duas cadeiras estarão em jogo.
Com menos de dois meses para a votação de outubro, o Paraná chega à reta mais intensa da campanha com Moro à frente na disputa estadual, mas com espaços ainda abertos para movimentações eleitorais — principalmente na definição do segundo colocado ao governo e na corrida pelas duas vagas ao Senado.
