Levantamento do Instituto Vox Brasil coloca Marina Silva com 26,1%, Simone Tebet com 25,5% e André do Prado com 21,5%; margem de erro aproxima os cinco primeiros e elevado índice de indecisos transforma a corrida pelas duas vagas paulistas em uma das disputas mais imprevisíveis das Eleições 2026.
Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO
A corrida pelas duas vagas de São Paulo no Senado começa a campanha eleitoral oficialmente aberta com um cenário de forte equilíbrio e espaço significativo para mudanças. Pesquisa do Instituto Vox Brasil Opinião e Pesquisas, divulgada neste domingo (16), aponta Marina Silva (Rede) com 26,1% e Simone Tebet (MDB) com 25,5%, seguidas de perto por André do Prado (PL), com 21,5%.
Na sequência aparecem Ricardo Salles (Novo), com 19,3%, e Guilherme Derrite (PL), com 17%.
Mais do que uma fotografia de quem está numericamente à frente, os números revelam uma eleição ainda longe de estar definida. A margem de erro informada pelo levantamento é de 2,55 pontos percentuais, para mais ou para menos, o que reduz as distâncias entre os principais concorrentes e exige cautela na interpretação das posições.
O dado politicamente mais relevante, porém, pode estar fora do ranking: 53,9% dos entrevistados não souberam ou não responderam em quem pretendem votar para o Senado. É um contingente capaz de alterar profundamente o desenho da disputa ao longo da campanha.
André do Prado entra no primeiro pelotão
O desempenho de André do Prado merece atenção especial no cenário paulista. Com 21,5%, o candidato aparece apenas 4,6 pontos atrás de Marina Silva e quatro pontos de Simone Tebet nos percentuais apresentados pela pesquisa.
O resultado coloca Prado efetivamente no primeiro bloco da corrida e reforça a importância da capilaridade regional nesta eleição. Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, ele construiu sua trajetória política a partir do interior e das estruturas municipais, elemento que pode ganhar peso conforme a campanha avance para além da exposição dos candidatos na Capital.
Em uma eleição estadual, São Paulo não se resume à Região Metropolitana. Grande ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba, Baixada Santista, regiões de Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e os demais polos do interior representam territórios decisivos para quem pretende conquistar uma das duas cadeiras.
É justamente nesse mapa regional que a eleição para o Senado poderá ser definida.
Duas vagas tornam a disputa ainda mais complexa
Em 2026, o eleitor paulista poderá escolher dois candidatos ao Senado, já que estarão em disputa duas das três cadeiras do Estado.
Essa característica muda a lógica eleitoral. Os candidatos não disputam necessariamente um único voto entre si: um mesmo eleitor pode combinar nomes de campos políticos diferentes, criando espaço para voto cruzado e tornando a transferência de apoio de candidatos a governador e presidente menos automática.
Por isso, alianças municipais, prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais e lideranças regionais tendem a assumir papel ainda mais relevante na reta eleitoral.
Rejeição também entra na conta
A pesquisa mediu ainda a rejeição dos candidatos. Marina Silva registra 33,3%, Simone Tebet 30,5%, Guilherme Derrite 23,1%, Ricardo Salles 19,5% e André do Prado 16,1%.
O índice de Prado chama atenção porque ele combina presença entre os primeiros colocados com a menor rejeição entre os cinco nomes apresentados. Politicamente, isso pode representar maior espaço para crescimento entre eleitores que ainda estão conhecendo as candidaturas.
Marina e Tebet, por outro lado, começam com maior intenção de voto, mas também apresentam os maiores índices de rejeição do grupo.
Mais da metade do eleitorado ainda pode redesenhar a eleição
O índice de 53,9% de eleitores sem indicação de voto ajuda a dimensionar o tamanho da batalha que começa agora.
Com a campanha nas ruas, propaganda eleitoral, debates, agendas nas cidades e maior exposição das chapas, a tendência é que parte desse eleitorado passe a identificar os candidatos e definir suas duas escolhas.
Isso transforma as próximas semanas em uma disputa não apenas pela consolidação de votos, mas principalmente pelo eleitor que ainda não entrou efetivamente na eleição para o Senado.
O levantamento foi realizado entre 11 e 13 de agosto, com 1.480 eleitores paulistas, segundo as informações divulgadas. A margem de erro apresentada é de 2,55 pontos percentuais.
A fotografia inicial, portanto, aponta Marina Silva e Simone Tebet na dianteira, André do Prado pressionando o bloco de liderança e Salles e Derrite ainda competitivos. Mas o volume de indecisos deixa uma conclusão clara: a disputa pelas duas cadeiras de São Paulo no Senado está aberta — e a força das regiões pode ser determinante para decidir quem chegará a Brasília.
