A partir deste domingo (16), candidatos estão oficialmente autorizados a pedir votos nas ruas e na internet. Em São Paulo, disputa envolve Presidência, Governo do Estado, duas vagas ao Senado e a renovação das bancadas estadual e federal.
Por Gabrielle Tricanico | Eleições 2026 | São Paulo
A campanha eleitoral de 2026 começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto, e inaugura a fase mais intensa da disputa pelo voto. A partir de agora, candidatos, partidos, federações e coligações podem realizar propaganda eleitoral nas ruas e na internet, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa posteriormente, em 28 de agosto. (Tribunal Superior Eleitoral)
Para o eleitor, porém, o início da campanha representa muito mais do que a multiplicação de bandeiras, adesivos, vídeos, santinhos e publicações nas redes sociais. Começa um período decisivo para comparar propostas, conhecer trajetórias e avaliar quem terá poder para tomar decisões que chegarão diretamente às cidades.
Eleitor fará seis escolhas na urna
As eleições gerais de 2026 exigirão atenção redobrada. No primeiro turno, marcado para 4 de outubro, cada eleitor fará seis escolhas, nesta ordem:
- deputado federal;
- deputado estadual — ou distrital, no Distrito Federal;
- senador para a primeira vaga;
- senador para a segunda vaga;
- governador e vice-governador;
- presidente e vice-presidente da República.
Isso acontece porque, em 2026, serão renovadas duas das três cadeiras de cada estado no Senado Federal. Caso nenhuma candidatura a presidente ou governador alcance a maioria necessária, o segundo turno será realizado em 25 de outubro. (Tribunal Superior Eleitoral)
O voto nacional começa na realidade de cada cidade
Embora as eleições sejam chamadas de “gerais”, boa parte dos efeitos das escolhas feitas em outubro será percebida diretamente nos municípios.
É no Congresso Nacional que passam decisões sobre orçamento, tributação, segurança, saúde, educação, infraestrutura e políticas públicas que impactam estados e prefeituras. Deputados federais também participam da definição e fiscalização do Orçamento da União.
Nas Assembleias Legislativas, os deputados estaduais discutem leis e fiscalizam o governo estadual. Em São Paulo, essas decisões alcançam áreas fundamentais para as regiões, como transporte metropolitano, rodovias estaduais, hospitais, escolas, segurança pública, habitação e investimentos em infraestrutura.
O governador administra o maior orçamento estadual do país e políticas que chegam diariamente à Grande São Paulo, Grande ABC, Alto Tietê, Vale do Paraíba, Litoral Norte, Baixada Santista, Sorocaba e demais regiões paulistas.
Já os senadores representam São Paulo no Senado e participam de decisões nacionais de longo alcance, incluindo votações de leis, reformas e indicações para funções estratégicas do Estado brasileiro.
Por isso, a cobertura regional das eleições ganha importância: entender o que cada candidato pretende fazer pelo território onde o eleitor vive é tão relevante quanto acompanhar a disputa nacional.
Campanha também será travada na tela do celular
A internet deverá novamente ocupar posição central na disputa pelo voto. Desde 16 de agosto, a propaganda pode ser realizada em páginas de candidatos e partidos, redes sociais, blogs, aplicativos de mensagens e outras plataformas digitais, respeitando as exigências da legislação eleitoral. (Tribunal Superior Eleitoral)
O ambiente digital, entretanto, também amplia um dos maiores desafios das Eleições 2026: separar informação, propaganda, opinião e conteúdo manipulado.
As regras aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral reforçaram os mecanismos relacionados ao uso de inteligência artificial. Conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente alterados por IA, quando permitidos, precisam ser identificados de maneira explícita, destacada e acessível. (Tribunal Superior Eleitoral)
Deepfakes utilizadas para prejudicar ou favorecer candidaturas são proibidas. A regulamentação também combate conteúdos fabricados ou manipulados capazes de disseminar informações notoriamente falsas ou descontextualizadas com potencial de afetar o equilíbrio ou a integridade das eleições. (Tribunal Superior Eleitoral)
Para o eleitor, isso acrescenta uma nova responsabilidade: não basta assistir a um vídeo ou receber uma mensagem para considerá-la verdadeira. Será necessário verificar autoria, contexto, data e procedência antes de compartilhar conteúdos políticos.
O que observar antes de escolher um candidato
Mais do que discursos e peças publicitárias, o eleitor pode observar o histórico político e profissional do candidato, as propostas apresentadas, sua atuação anterior em cargos públicos, a coerência entre discurso e prática e a capacidade de explicar de onde sairão os recursos para cumprir aquilo que promete.
Também é importante compreender qual é a atribuição do cargo disputado. Um deputado estadual, por exemplo, não possui as mesmas competências de um prefeito; da mesma forma, presidente, governador, senador e deputado exercem funções distintas.
Conhecer essas diferenças ajuda a identificar promessas que realmente podem ser executadas pelo cargo pretendido e reduz o espaço para discursos eleitorais desconectados das atribuições legais.
São Paulo no centro da disputa de 2026
Com o maior eleitorado do país e peso decisivo na formação das bancadas no Congresso Nacional, São Paulo estará no centro da batalha eleitoral.
Mas a eleição paulista não se resume às grandes lideranças partidárias. Nas cidades, candidatos precisarão responder a problemas concretos: mobilidade, segurança, saúde, habitação, desenvolvimento econômico, geração de empregos, infraestrutura, educação e capacidade de atrair investimentos.
É justamente nesse ponto que a política nacional encontra a vida regional.
Nos próximos 49 dias até o primeiro turno, o eleitor será exposto a uma avalanche de discursos, propostas, pesquisas, confrontos políticos e conteúdos digitais.
A decisão final, porém, continuará sendo individual e secreta.
No dia 4 de outubro, cada eleitor terá seis escolhas diante da urna. E cada uma delas ajudará a definir não apenas quem ocupará Brasília ou o Palácio dos Bandeirantes, mas também quais projetos, prioridades e representantes terão força para defender as cidades e regiões paulistas pelos próximos anos.
