Governador avalia iniciar oficialmente a corrida pela reeleição neste domingo (16), em território comandado pelo Podemos. Ex-prefeito Rogério Lins, candidato a deputado estadual e ex-secretário de Ricardo Nunes, surge como peça importante na mobilização da região metropolitana.
Por Gabrielle Tricanico | Eleições 2026 | Osasco
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve transformar Osasco em uma das primeiras vitrines de sua campanha pela reeleição. A agenda prevista para este domingo (16) coloca a Região Metropolitana no centro da estratégia eleitoral e aproxima ainda mais o governador de um dos grupos políticos municipais mais estruturados da Grande São Paulo.
Segundo informações publicadas nesta terça-feira (11), a programação está prevista para começar às 9h, no Metalclube, espaço ligado ao Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região, em evento promovido pelo ex-prefeito Rogério Lins (Podemos), atualmente candidato a deputado estadual.
A escolha de Osasco não é apenas geográfica. Ela carrega um componente político importante. O município é governado por Gerson Pessoa (Podemos), aliado e sucessor de Rogério Lins, e o grupo local demonstrou força eleitoral nas últimas eleições municipais.
Lins governou Osasco entre 2017 e 2024 e foi reeleito em 2020 com 60,94% dos votos válidos, então a maior votação em primeiro turno da história do município.
A capacidade de transferência e manutenção desse grupo político voltou a aparecer em 2024, quando Gerson Pessoa venceu a disputa pela Prefeitura. Esse histórico ajuda a explicar por que a estrutura política de Osasco pode ser relevante para Tarcísio em 2026.
Rogério Lins entra no tabuleiro estadual
O Podemos lançou Rogério Lins para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. A candidatura está registrada no sistema eleitoral como Rogério Lins, número 20200, com registro atualmente indicado como “em análise”.
Lins também construiu uma ponte política com a capital. Depois de deixar a Prefeitura de Osasco, foi escolhido pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) para comandar a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, assumindo a pasta em janeiro de 2025.
Ele deixou o cargo no fim de março de 2026, dentro da movimentação do secretariado relacionada ao prazo de desincompatibilização eleitoral. Na ocasião, já era apontado como nome para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.
Essa trajetória coloca Lins em uma posição peculiar na eleição: possui uma base política consolidada em Osasco, passou pela administração da maior cidade do país e agora tenta converter esse capital municipal em votos para uma disputa estadual.
Por isso, a expectativa dentro de seu grupo é de uma votação expressiva. O próprio prefeito Gerson Pessoa afirmou, durante o lançamento da pré-candidatura, acreditar que Lins estará entre os candidatos mais votados do Estado — uma avaliação política do aliado, e não uma projeção independente de resultado.
Osasco como porta de entrada para a Grande SP
Para Tarcísio, começar a campanha em Osasco pode cumprir uma função que vai além do município: sinalizar prioridade para o cinturão metropolitano.
A Região Metropolitana concentra alguns dos maiores colégios eleitorais paulistas e reúne cidades politicamente distintas. Nesse cenário, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e candidatos proporcionais funcionam como estruturas locais de mobilização, especialmente durante uma eleição estadual.
Rogério Lins pode exercer justamente esse papel para Tarcísio: além de candidato próprio, atuar como articulador e cabo eleitoral do governador em Osasco e municípios próximos. A dimensão efetiva dessa influência, porém, somente poderá ser medida ao longo da campanha e pelas urnas.
O movimento ocorre ainda em meio à tentativa do governador de ampliar sua articulação municipal. A decisão de colocar uma cidade metropolitana no início da campanha reforça a leitura de que a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes também passará pelo desempenho nas grandes cidades que circundam a capital.
Assim, Osasco deixa de ser apenas o endereço de um ato eleitoral. Torna-se uma demonstração da estratégia de Tarcísio para 2026: combinar sua candidatura estadual com estruturas políticas municipais capazes de mobilizar votos nos maiores centros urbanos de São Paulo.
