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Operação Narciso da Polícia Civil do DF mira rede nacional de anabolizantes e bloqueia R$ 32 milhões

Megaoperação deflagrada em Brasília cumpre 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão; investigação aponta esquema de fabricação e venda clandestina com atuação em diferentes estados e conexão com o Paraguai.

Por Gabrielle Tricanico | DISTRITO FEDERAL | BRASÍLIA

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira (12), a Operação Narciso, uma ofensiva de alcance nacional contra uma organização investigada pela fabricação, distribuição e comercialização clandestina de anabolizantes e outras substâncias proibidas.

A ação é conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), da Polícia Civil do Distrito Federal.

Segundo informações da PCDF, a investigação revelou uma estrutura criminosa complexa, que atuaria desde a obtenção de insumos e fabricação caseira dos produtos até a produção de rótulos, divulgação e comercialização.

Entre os produtos investigados estão anabolizantes, medicamentos sujeitos a controle especial, produtos veterinários e suplementos que poderiam conter substâncias não declaradas nos rótulos.

Operação alcança diferentes estados

Embora a investigação seja conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, a dimensão do esquema levou a operação para diferentes regiões brasileiras.

Segundo a PCDF, a organização mantinha conexões em oito estados, além do Distrito Federal, e uma ponte direta com a fabricação clandestina no Paraguai.

As diligências desta quarta-feira alcançam Santa Catarina, Acre, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Paraíba e Minas Gerais, além do próprio Distrito Federal.

A abrangência territorial é um dos principais elementos da investigação e indica que a estrutura teria capacidade para movimentar produtos clandestinos por diferentes mercados consumidores do país.

Justiça determina bloqueio de R$ 32 milhões

Ao todo, foram expedidos 43 mandados de prisão, entre preventivos e temporários, e 64 mandados de busca e apreensão.

A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de aproximadamente R$ 32 milhões em ativos financeiros, além da quebra do sigilo bancário de 58 alvos da investigação.

O objetivo da frente financeira é identificar a movimentação dos recursos provenientes das atividades investigadas e atingir o patrimônio relacionado ao esquema.

A análise financeira também poderá ajudar os investigadores a identificar outros integrantes, empresas e pessoas eventualmente utilizadas para movimentar ou ocultar recursos.

Mais de 20 estabelecimentos são lacrados

O impacto da operação também chegou ao comércio. De acordo com o balanço divulgado, mais de 20 estabelecimentos comerciais foram lacrados durante a ofensiva.

As equipes apreenderam ainda dez veículos de luxo, enquanto mais de 30 sites utilizados para a comercialização ilegal foram retirados do ar.

A atuação digital é uma das frentes relevantes da investigação. A suspeita é de que a internet e as redes sociais fossem utilizadas para ampliar a divulgação dos produtos e facilitar o contato entre vendedores e consumidores em diferentes regiões do país.

Nutricionistas, biomédicos e influenciadores aparecem na investigação

A apuração da Polícia Civil do DF identificou ainda a participação de profissionais de diferentes áreas na estrutura investigada.

Entre eles estão nutricionistas, biomédicos, veterinários, personal trainers e influenciadores digitais.

A participação desses profissionais é investigada individualmente, e caberá às autoridades estabelecer a responsabilidade de cada alvo. A presença de pessoas ligadas às áreas de saúde, estética e atividade física, entretanto, chama a atenção pela capacidade de alcançar diretamente o público consumidor desse tipo de produto.

O caso também levanta um alerta de saúde pública. Produtos fabricados clandestinamente não passam necessariamente pelos controles sanitários, de procedência, composição, dosagem e armazenamento exigidos para medicamentos e outras substâncias regulamentadas.

Investigação aponta conexão com o Paraguai

Outro ponto considerado estratégico pela PCDF é a dimensão internacional do esquema.

A investigação identificou uma ponte direta com fabricação clandestina no Paraguai, indicando que parte da cadeia de abastecimento ultrapassaria as fronteiras brasileiras.

A apuração busca estabelecer como funcionavam as rotas utilizadas para entrada de substâncias, distribuição dos produtos e abastecimento dos diferentes núcleos investigados no Brasil.

Operação começou a ser construída em 2025

A investigação que resultou na Operação Narciso teve origem na Operação Béquer, deflagrada em fevereiro de 2025.

Naquela ocasião, uma busca realizada no apartamento de um dos investigados resultou na apreensão de anabolizantes, insumos, cápsulas, rótulos e aparelhos celulares.

A análise do material apreendido permitiu aos investigadores aprofundar o rastreamento das conexões existentes por trás do comércio clandestino.

A partir desse trabalho, a Polícia Civil conseguiu avançar sobre fornecedores, distribuidores, responsáveis pela fabricação, divulgação e comercialização, chegando à estrutura atingida pela operação desta quarta-feira.

A PCDF considera a Operação Narciso uma das principais ações realizadas neste ano contra o comércio ilegal de anabolizantes e substâncias proibidas no país.

As investigações prosseguem para individualizar as condutas dos envolvidos, aprofundar o rastreamento financeiro e identificar possíveis novos integrantes e ramificações do esquema.

Fonte: Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).

Polícia Civil do Distrito Federal deflagra Operação Narciso contra rede nacional de anabolizantes, cumpre 43 mandados de prisão e bloqueia R$ 32 milhões.

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