Encontro fechado reúne 37 prefeitos e um vice-prefeito de 38 dos 39 municípios metropolitanos e coloca as lideranças municipais no centro da estratégia eleitoral de Tarcísio de Freitas para 2026.
Por Gabrielle Tricanico | Eleições 2026 | Região Metropolitana de São Paulo
Os prefeitos assumem papel de protagonistas na corrida pelo Governo de São Paulo em 2026. Em uma demonstração de força política regional, o governador Tarcísio de Freitas reuniu, nesta segunda-feira (10), 37 prefeitos e um vice-prefeito, representando 38 dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo.
O encontro, realizado durante um almoço fechado na capital, consolidou o apoio das lideranças presentes ao projeto de reeleição de Tarcísio e mostrou uma característica que deverá pesar na campanha: a capacidade de reunir gestores municipais de diferentes partidos em torno de sua candidatura.
São 12 legendas representadas, envolvendo cidades que concentram milhões de eleitores e algumas das maiores máquinas administrativas e políticas do Estado.
Entre os municípios presentes estavam São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, Diadema, Osasco, Mogi das Cruzes, Barueri e Carapicuíba.
Prefeitos deixam os bastidores e entram no centro da eleição
Mais do que uma fotografia de apoio, a presença de representantes de 38 municípios evidencia o peso que as administrações municipais deverão exercer na eleição estadual.
Os prefeitos conhecem o território, mantêm diálogo cotidiano com vereadores e lideranças comunitárias e administram políticas públicas que chegam diretamente à população. Em uma Região Metropolitana com aproximadamente 22 milhões de habitantes, essa capilaridade transforma os governos municipais em peças relevantes da construção política das candidaturas estaduais.
É justamente nesse ponto que está o principal significado político do encontro: Tarcísio busca transformar apoio institucional e partidário em uma ampla rede regional de sustentação eleitoral.
O fato de os gestores pertencerem a 12 partidos também amplia a dimensão do movimento. A fotografia deixa de representar apenas uma composição partidária e passa a mostrar uma articulação municipal que atravessa diferentes legendas.
Ricardo Nunes fala pelos prefeitos
O prefeito da capital, Ricardo Nunes, falou em nome dos demais gestores durante o encontro. A presença do chefe do Executivo da maior cidade do país reforça o peso político da Região Metropolitana dentro da estratégia de reeleição.
Também participaram o vice-governador Felício Ramuth, os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) e o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
A composição do encontro mostra que a articulação não está restrita à disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. A reunião aproxima lideranças municipais da chapa majoritária e cria um ambiente político para a construção das campanhas estaduais e ao Senado.
Minha análise | Gabrielle Tricanico
A grande estrela desta eleição pode não estar apenas no palanque dos candidatos ao Governo. Está nas prefeituras.
Em uma eleição estadual, ter o apoio formal de uma legenda é importante. Mas contar com prefeitos politicamente envolvidos significa possuir capilaridade nos municípios, diálogo com lideranças locais e presença nos territórios onde a eleição efetivamente acontece.
O encontro com representantes de 38 dos 39 municípios metropolitanos é, portanto, um movimento que merece ser observado para além da fotografia política.
A Região Metropolitana reúne realidades eleitorais completamente diferentes. São Paulo tem uma dinâmica; o Grande ABC possui outra; Guarulhos tem sua própria configuração; Alto Tietê, Osasco e a região oeste também possuem lideranças e demandas específicas.
É nesse mosaico que os prefeitos ganham importância.
Eles podem funcionar como pontes entre uma campanha estadual e o eleitor regional, principalmente quando conseguem associar entregas e investimentos realizados em parceria com o Governo do Estado às demandas concretas de suas cidades.
Mas apoio de prefeito não significa transferência automática de votos. Esse será um dos pontos centrais a serem medidos durante a campanha: até onde a força política dos prefeitos consegue chegar ao eleitor?
O almoço desta segunda-feira dá uma primeira dimensão da estratégia de Tarcísio para responder a essa pergunta: construir uma campanha fortemente apoiada nos municípios.
E, em 2026, acompanhar o movimento desses prefeitos será tão importante quanto acompanhar os próprios candidatos.
