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Eleições 2026: TRE-SP multa Ricardo Salles em R$ 10 mil por vídeo contra André do Prado na disputa pelo Senado

Justiça Eleitoral aplicou duas multas de R$ 5 mil ao candidato do Novo por propaganda eleitoral antecipada e impulsionamento de conteúdo negativo contra o presidente da Alesp e candidato do PL ao Senado; embate expõe disputa pelo eleitorado de direita em São Paulo.

Por Gabrielle Tricanico | ELEIÇÕES 2026 | SÃO PAULO

A corrida pelas duas vagas de São Paulo no Senado ganhou mais um capítulo nos tribunais. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) aplicou duas multas de R$ 5 mil, totalizando R$ 10 mil, ao deputado federal Ricardo Salles (Novo) em uma representação envolvendo conteúdo publicado contra André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e adversário na disputa pelo Senado. Salles ainda pode recorrer.

A decisão é relevante não apenas pelo valor da punição, mas porque ocorre em meio a uma disputa cada vez mais aberta dentro do campo conservador paulista. Salles vem questionando publicamente a candidatura de André do Prado e tentando se apresentar como uma das alternativas da direita ao Senado. Em julho, chegou a defender que Prado desistisse da corrida eleitoral.

Vídeo com inteligência artificial entrou na mira da Justiça

A representação foi apresentada pelo diretório estadual do PL e teve como alvo um vídeo publicado e impulsionado no Instagram de Salles. Na peça, o parlamentar se apresenta como candidato ao Senado e direciona críticas a André do Prado, questionando sua identificação com o eleitorado de direita.

O material também utilizava imagens produzidas ou manipuladas digitalmente, incluindo uma representação de André do Prado como uma espécie de marionete controlada por dirigente partidário. A Justiça apontou problemas relacionados ao uso dessas imagens e ao impulsionamento de propaganda negativa.

A defesa de Salles sustentou que a publicação representava exercício legítimo de crítica política e argumentou, entre outros pontos, que não havia pedido explícito de não voto. Os argumentos, porém, não foram acolhidos nessa decisão.

O caso já havia produzido uma decisão liminar em julho. Na ocasião, a Justiça determinou a retirada do vídeo do ar ao identificar indícios de propaganda eleitoral negativa paga e de utilização de imagens sintéticas ou digitalmente manipuladas sem a identificação exigida pelas regras eleitorais.

Disputa pelo Senado vira batalha dentro da própria direita

Politicamente, o episódio revela uma das frentes mais tensas das Eleições 2026 em São Paulo. Salles e André do Prado disputam espaço em uma faixa semelhante do eleitorado, especialmente entre eleitores conservadores.

Salles vem tentando estabelecer uma diferenciação ideológica em relação ao presidente da Alesp. Em abril, chegou a afirmar que a candidatura de Prado poderia favorecer a esquerda e classificou o adversário como representante do chamado “centrão”. Em junho, reforçou que ele próprio e Guilherme Derrite seriam os nomes da direita na disputa paulista.

André do Prado, por sua vez, chega à corrida eleitoral como presidente da Alesp e candidato do PL, com forte inserção política no interior, Alto Tietê, Grande São Paulo e outras regiões do Estado. Dessa forma, uma disputa inicialmente concentrada na formação das chapas passa a envolver também uma batalha pela definição de quem terá maior capacidade de representar o eleitorado conservador paulista.

Eleições 2026: redes sociais entram definitivamente no radar da Justiça

O julgamento também acende um alerta para candidatos, partidos e equipes de comunicação em todo o Estado. Impulsionamento de conteúdo, propaganda negativa e utilização de inteligência artificial estão entre os pontos que devem receber atenção especial durante a campanha.

No caso de Salles, a Justiça considerou irregular tanto a propaganda antecipada quanto o impulsionamento de conteúdo negativo, resultando nas duas multas que somam R$ 10 mil.

Com a campanha avançando, o confronto entre Ricardo Salles e André do Prado mostra que a eleição paulista para o Senado deverá ser travada simultaneamente nas ruas, nas redes sociais e na Justiça Eleitoral.

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