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Delegado da Polícia Civil é preso por suspeita de esquema milionário de corrupção na Bahia; investigação aponta movimentação de R$ 12 milhões

Operação Ouro de Tolo avança e prende delegado acusado de extorquir garimpeiros, manter suposta ligação com criminosos e movimentar valores incompatíveis com a renda. Caso reforça o debate nacional sobre o combate à corrupção dentro das forças de segurança.

Por Gabrielle Tricanico | Brasil | Bahia

A prisão preventiva do delegado da Polícia Civil da Bahia, José Marcelo Bezerra de Santana, representa um dos desdobramentos mais relevantes das investigações sobre corrupção envolvendo agentes da segurança pública no país. O policial foi preso em Euclides da Cunha, no norte baiano, durante a terceira fase da Operação Ouro de Tolo, conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil com apoio de equipes especializadas.

Segundo a investigação, o delegado é suspeito de cobrar vantagens indevidas de garimpeiros, além de responder por outros crimes relacionados à corrupção. Um Relatório de Inteligência Financeira identificou movimentações bancárias de aproximadamente R$ 12 milhões, valor considerado incompatível com os rendimentos de um servidor público.

As apurações tiveram início em agosto de 2025, quando a primeira fase da Operação Ouro de Tolo afastou o delegado do cargo por 90 dias e determinou a suspensão do porte e da posse de armas. Na ocasião, durante buscas autorizadas pela Justiça, os investigadores apreenderam R$ 90 mil em dinheiro vivo, além de documentos e equipamentos eletrônicos considerados relevantes para a investigação.

De acordo com a Corregedoria, o caso começou após o recebimento de áudios que indicariam que o delegado exigia pagamentos ilegais de garimpeiros que atuavam nos municípios de Cansanção e Nordestina. As investigações também apuram uma suposta relação entre a delegacia comandada por ele e integrantes de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. Há ainda suspeitas de que o delegado tenha orientado um advogado a falsificar documentos para liberar valores apreendidos em investigações policiais.

A Corregedoria confirmou o cumprimento do mandado de prisão e informou que o delegado permanece à disposição da Justiça. O caso segue sob investigação para identificar a possível participação de outras pessoas e esclarecer a origem dos recursos movimentados. Como determina a legislação brasileira, o investigado é presumido inocente até eventual condenação definitiva, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

Impacto

O episódio amplia a discussão sobre mecanismos de controle interno das polícias brasileiras e reforça a atuação das corregedorias no combate a desvios de conduta dentro das corporações. Também evidencia os desafios enfrentados pelo poder público em regiões marcadas pela atividade garimpeira, onde crimes ambientais, exploração mineral ilegal e corrupção frequentemente aparecem associados em investigações de grande porte.

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