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Sistema Cantareira entra em alerta e acende sinal para abastecimento na Grande São Paulo

Mesmo com nível atual acima da crise hídrica de 2014, especialistas alertam que o Cantareira depende da transposição do Rio Paraíba do Sul e da redução da pressão na rede para manter o abastecimento durante o período de estiagem.

Por Gabrielle Tricanico | Grande São Paulo

O Sistema Cantareira voltou ao centro das preocupações sobre o abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo. Dados divulgados apontam que, sem a água transferida do Rio Paraíba do Sul e sem a chamada Gestão de Demanda Noturna (GDN), que reduz a pressão na rede durante a madrugada, o principal reservatório paulista já estaria operando próximo do chamado “volume morto”.

Atualmente, o Cantareira registra 36,7% do volume útil, cerca de 360 bilhões de litros. No entanto, segundo estimativas técnicas, sem essas medidas de reforço o sistema estaria com aproximadamente 16% da capacidade, equivalente a 157 bilhões de litros, em pleno período de estiagem, que ainda deve se estender por cerca de dois meses.

O cenário levou a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a ampliar até o fim do ano a autorização para a transposição das águas do Rio Paraíba do Sul, mantendo também a faixa de alerta que impõe restrições à captação nos reservatórios.

A infraestrutura construída após a histórica crise hídrica de 2014 e 2015 tornou-se essencial para a segurança hídrica paulista. Hoje, até 8,5 metros cúbicos de água por segundo são transferidos do Paraíba do Sul para o Cantareira. Esse volume representa mais de um terço de toda a água que abastece o sistema durante o inverno seco, período em que a vazão natural dos rios permanece muito abaixo da média histórica.

Prestação de serviço

Moradores da Capital, Grande ABC, Guarulhos, Alto Tietê, Osasco, Barueri, Santana de Parnaíba, Cajamar e demais cidades abastecidas pelo Sistema Cantareira devem acompanhar os comunicados oficiais da Sabesp, principalmente em bairros mais altos ou nas extremidades da rede de distribuição, onde oscilações de pressão podem ocorrer durante períodos de estiagem.

Especialistas também recomendam o uso consciente da água, evitando desperdícios com lavagem de calçadas, veículos e uso prolongado de mangueiras, além de manter caixas d’água em boas condições para garantir reserva em caso de oscilações temporárias no fornecimento.

Embora o Estado de São Paulo esteja distante da situação crítica enfrentada há mais de uma década, o avanço da estiagem e a redução das vazões naturais reforçam que a segurança hídrica depende tanto das obras estruturais quanto do consumo responsável da população. O comportamento do Sistema Cantareira continuará sendo monitorado diariamente pelas autoridades ao longo dos próximos meses.

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