Empresa é investigada por receber pagamentos antecipados sem entregar lanchas, barcos, jet-skis ou concluir serviços. Polícia Civil apreendeu 15 embarcações, motores, dinheiro em espécie e apura possível lavagem de dinheiro por meio de contas de terceiros.
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Por Gabrielle Tricanico | Interior | Limeira
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Barco Furado para desarticular um suposto esquema de fraudes na comercialização de embarcações e equipamentos náuticos em Limeira, no interior paulista. A investigação aponta que uma empresa do setor teria aplicado golpes durante aproximadamente três anos, causando prejuízos de centenas de milhares de reais a clientes de diferentes cidades.
Durante a operação, equipes da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), por meio do Setor Especializado de Combate à Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Em um dos imóveis, localizado no Parque Residencial Roland, um homem de 63 anos foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Segundo a Polícia Civil, a arma apreendida não possuía registro nem documentação que comprovasse sua procedência.
Na sede da empresa investigada, os policiais apreenderam 15 embarcações, entre barcos, lanchas e um jet-ski, além de oito motores de popa de diferentes marcas e potências. A origem dos bens ainda será verificada durante o andamento das investigações.
Também foram recolhidos R$ 6.540 em dinheiro, oito folhas de cheque, um aparelho celular e um cartão bancário. Todo o material passará por perícia para identificar a movimentação financeira e o possível destino dos recursos obtidos com as fraudes.
Como o esquema funcionava
De acordo com a investigação, os suspeitos atraíam clientes interessados na compra de embarcações, motores, jet-skis ou serviços de manutenção e intermediação de vendas. A empresa operava em endereço físico, transmitindo credibilidade ao mercado.
Após receber pagamentos antecipados, principalmente por Pix e cheques, os produtos deixavam de ser entregues e os serviços nunca eram concluídos. Em diversos casos, clientes que haviam deixado suas próprias embarcações para manutenção ou venda também não conseguiam recuperar seus bens.
Segundo a Polícia Civil, os investigados alegavam problemas com fornecedores, dificuldades financeiras ou questões de saúde para justificar os atrasos. Com o passar do tempo, interrompiam o contato com os consumidores e, em algumas situações, impediam até mesmo o acesso das vítimas ao estabelecimento.
Outro ponto que chama a atenção da investigação é o uso de contas bancárias de terceiros, incluindo familiares dos investigados, para o recebimento dos pagamentos. Para os policiais, a prática pode indicar uma tentativa de ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento financeiro, hipótese que também está sendo apurada sob a ótica dos crimes de lavagem de dinheiro.
Até o momento, a empresa é alvo de pelo menos sete boletins de ocorrência e três ações judiciais de cobrança. A Polícia Civil não descarta o surgimento de novas vítimas e orienta pessoas que tenham negociado com a empresa e se sintam lesadas a procurarem uma unidade policial para registrar ocorrência.
Análise da Guardiã
A Operação Barco Furado evidencia como organizações criminosas podem utilizar empresas aparentemente regulares para conquistar a confiança dos consumidores. O caso também reforça a importância de verificar a reputação de estabelecimentos, exigir documentação completa das negociações e desconfiar quando pagamentos são direcionados para contas de pessoas físicas, e não da empresa responsável pela venda. Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados poderão responder por estelionato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes que vierem a ser identificados durante o aprofundamento das investigações.
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