País chega a 675 municípios certificados como “Rifiuti Free”, reduz envio de resíduos para aterros e reforça liderança europeia em reciclagem, reutilização e gestão sustentável do lixo.
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Por Gabrielle Tricanico | INTERNACIONAL | ITÁLIA
A Itália voltou a registrar avanços expressivos na gestão ambiental e reafirmou sua posição entre as principais referências mundiais em economia circular. O país passou a contar com 675 municípios certificados com o selo “Rifiuti Free”, concedido às cidades que conseguem reduzir drasticamente a quantidade de resíduos encaminhados para aterros sanitários e incineradores, priorizando a reciclagem, a reutilização de materiais e a compostagem. O resultado foi divulgado durante a 33ª edição do programa Comuni Ricicloni, promovido pela Legambiente no EcoForum Nacional da Economia Circular, realizado em Roma.
O crescimento representa uma recuperação em relação ao ano passado, quando o país contabilizou 663 municípios certificados. Mais do que o aumento no número de cidades, o levantamento destaca que mais de 4 milhões de italianos vivem atualmente em municípios considerados “Rifiuti Free”, indicando que localidades de maior porte também passaram a integrar o grupo de excelência ambiental.
O selo é concedido apenas às cidades que mantêm a produção de resíduos indiferenciados — aqueles que não podem ser reciclados — abaixo de 75 quilos por habitante ao ano. Na prática, isso significa que a maior parte do lixo produzido pela população retorna ao ciclo produtivo por meio da reciclagem, reutilização ou transformação em novos insumos, reduzindo a necessidade de aterros sanitários e diminuindo significativamente os impactos ambientais.
O estudo também evidencia diferenças regionais. O Vêneto lidera o ranking nacional, com 165 municípios certificados, seguido pela Lombardia, com 104, e pela Campânia, com 73. Entre as capitais de província que mantiveram o reconhecimento estão Belluno, Treviso, Trento, Pordenone e Nuoro, consideradas referências nacionais na gestão dos resíduos urbanos.
Criado há mais de três décadas, o programa Comuni Ricicloni tornou-se um dos principais indicadores de desempenho ambiental da Itália. Além de avaliar índices de reciclagem, o levantamento analisa políticas públicas voltadas à coleta seletiva, educação ambiental, compras públicas sustentáveis, logística reversa e redução da geração de resíduos, estimulando uma mudança estrutural na gestão dos municípios italianos.
O desempenho italiano é frequentemente apontado como referência internacional por demonstrar que a sustentabilidade depende não apenas da reciclagem, mas da redução da produção de lixo desde a origem. Especialistas defendem que o modelo pode inspirar cidades de diversos países, inclusive no Brasil, onde o desafio ainda é ampliar a coleta seletiva, reduzir a destinação de resíduos aos aterros e fortalecer políticas de economia circular.
