Por Gabrielle Tricanico
A decisão da Urbia Parques de desistir da concessão dos parques estaduais da Cantareira e Alberto Löfgren (Horto Florestal), na Zona Norte da capital, reacende um dos principais debates sobre a política de concessões adotada pelo Governo de São Paulo: como equilibrar preservação ambiental, interesse público e sustentabilidade financeira dos contratos.
A Secretaria de Parcerias em Investimentos publicou resolução autorizando estudos para uma eventual relicitação ou até mesmo uma repactuação contratual. Enquanto uma definição não é tomada, a concessionária seguirá responsável pela operação, manutenção e atendimento aos visitantes, evitando qualquer interrupção nos serviços.
O contrato foi firmado em 2022, durante a gestão do então governador João Doria, com prazo de 30 anos e previsão de investimentos mínimos superiores a R$ 45 milhões. No entanto, segundo o governo estadual, a empresa demonstrou insatisfação com o desempenho econômico da concessão, após alegar frustração das expectativas de demanda e custos superiores aos inicialmente projetados.
Análise
Mais do que uma simples desistência empresarial, o episódio representa um teste importante para o modelo de concessões implantado em São Paulo.
Nos últimos anos, o Estado apostou na iniciativa privada para modernizar equipamentos públicos, ampliar investimentos e reduzir custos operacionais. Em diversos parques houve melhorias de infraestrutura, novos serviços e revitalização de espaços.
Por outro lado, também cresceram as críticas relacionadas ao aumento da exploração comercial, à cobrança por atrações e à percepção de que áreas públicas passaram a ter acesso mais restritivo para parte da população. O debate sobre o equilíbrio entre preservação ambiental e rentabilidade nunca deixou de existir e agora volta ao centro das discussões.
A gestão do governador Tarcísio de Freitas terá agora o desafio de decidir entre renegociar o contrato ou abrir uma nova licitação, buscando um modelo capaz de garantir segurança jurídica aos investidores sem comprometer a função social dos parques.
O caso também acontece poucas semanas após o Governo do Estado suspender outra licitação envolvendo seis parques urbanos da capital, demonstrando que o modelo de concessões ambientais passa por um momento de reavaliação.
Para os frequentadores, a principal expectativa é que qualquer solução preserve o acesso público, a qualidade da manutenção e a proteção ambiental, independentemente de quem assuma a administração dos espaços.
