Polícia Civil apura denúncias de estelionato e fraude corporativa; vítimas afirmam que confiança na estrutura da rede foi usada para viabilizar transferências bancárias suspeitas
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um suposto esquema de estelionato e fraude corporativa que teria causado prejuízos superiores a R$ 240 mil a empresários ligados à rede de franquias Cacau Show no Distrito Federal e região do Entorno.
No centro das investigações está uma ex-consultora de negócios da rede, identificada como Lilmara Neto Oliveira. Segundo denúncias registradas por franqueados, ela teria utilizado a posição de confiança que ocupava dentro da estrutura da empresa para orientar transferências bancárias que, posteriormente, teriam resultado em prejuízos financeiros aos empresários.
De acordo com a investigação conduzida pela 32ª Delegacia de Polícia, em Samambaia, a suspeita teria induzido franqueados a realizar pagamentos para contas de terceiros e até mesmo para empresas que, segundo as denúncias, teriam ligação direta com ela.
As apurações apontam que as supostas irregularidades teriam começado ainda em 2024. A então consultora foi desligada da empresa em outubro do ano passado. Desde então, novos relatos passaram a surgir, ampliando o alcance da investigação.
Franqueada relata perda de mais de R$ 190 mil
Uma das principais denúncias foi apresentada pela empresária Lucifátima Ferreira Barros Seabra, proprietária de uma unidade da Cacau Show em Samambaia. Segundo ela, os prejuízos ultrapassam R$ 190 mil.
A empresária afirma que todas as movimentações financeiras ocorreram dentro do que parecia ser a rotina operacional da franquia. A confiança depositada na profissional, que atuava como representante institucional da rede junto aos franqueados, teria sido determinante para que as orientações fossem seguidas sem questionamentos.
Segundo relatos encaminhados às autoridades, a ex-consultora acompanhava indicadores de desempenho, orientava campanhas comerciais, realizava visitas técnicas às unidades e fazia a interlocução entre os franqueados e a franqueadora.
“Ela era apresentada como representante da empresa. Não havia motivo para desconfiar”, relataram vítimas ouvidas durante a investigação.
Prejuízo pode ser maior
Embora os prejuízos oficialmente identificados ultrapassem R$ 240 mil, investigadores trabalham com a possibilidade de que o valor seja significativamente superior. Isso porque novas vítimas continuam procurando a Polícia Civil para relatar situações semelhantes.
A expectativa é que a investigação avance nos próximos meses para identificar a extensão do suposto esquema, o número total de vítimas e o destino dos recursos transferidos.
Outro lado
Até o momento, não há condenação judicial nem denúncia formal apresentada pelo Ministério Público. A investigação segue em andamento e a suspeita terá garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório.
A reportagem buscou posicionamento da Cacau Show e da defesa da investigada. Caso haja manifestação, o conteúdo será atualizado.
Por Gabrielle Tricanico | Especial Brasília
Modo Investigação ativado: quando a confiança vira moeda de troca, o prejuízo pode ultrapassar os números e atingir a credibilidade de todo um sistema de franquias.