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Governo Tarcísio freia concessão da Estrada de Ferro Campos do Jordão e aumenta incerteza sobre futuro do patrimônio turístico paulista

A poucos dias da abertura dos envelopes da concorrência internacional que previa transferir à iniciativa privada a operação da Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), o Governo de São Paulo decidiu suspender a licitação sem apresentar justificativas públicas para a medida. A decisão foi publicada pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e não traz prazo para retomada do processo.

O movimento chama atenção porque esta é a segunda alteração no cronograma em menos de dois meses. Em abril, o governo já havia adiado a entrega das propostas após pedidos de interessados no certame. Agora, a suspensão ocorre sem explicações detalhadas e sem definição de nova data.

O que estava em jogo

O projeto de concessão previa investimentos superiores a R$ 315 milhões para modernização da ferrovia turística, recuperação da infraestrutura, revitalização de estações, reabertura do Parque Reino das Águas Claras e implantação de novos equipamentos voltados ao turismo na Serra da Mantiqueira.

A proposta também contemplava a recuperação do trecho ferroviário de aproximadamente 47 quilômetros entre Pindamonhangaba e Campos do Jordão, além da criação de novos atrativos turísticos e estruturas de lazer.

Bastidores da suspensão

Embora o governo não tenha divulgado oficialmente os motivos, a suspensão pode indicar dificuldades na modelagem econômica do projeto ou baixo interesse do mercado. A ausência de justificativas alimenta questionamentos sobre a viabilidade financeira da concessão e sobre o retorno esperado pelos investidores.

Nos bastidores do setor de infraestrutura, a expectativa era de que a concessão fosse uma das vitrines do programa de parcerias do governo estadual, especialmente por envolver um dos mais tradicionais patrimônios ferroviários do Estado. A interrupção repentina gera dúvidas sobre os próximos passos da gestão.

Patrimônio histórico em compasso de espera

A Estrada de Ferro Campos do Jordão é uma das poucas ferrovias turísticas ainda em operação no Brasil. Criada no início do século XX, a linha possui forte valor histórico, cultural e turístico para o Vale do Paraíba e para a Serra da Mantiqueira. Atualmente, parte da operação permanece limitada a passeios turísticos e atrações locais.

Análise

A suspensão não representa o cancelamento definitivo da concessão, mas expõe um problema recorrente em projetos de infraestrutura: a dificuldade de transformar patrimônio histórico em negócio economicamente atrativo para a iniciativa privada.

Sem explicar os motivos da decisão, o governo abre espaço para questionamentos de prefeitos, empresários do turismo e moradores da região. O principal desafio agora será demonstrar se a pausa servirá para aperfeiçoar o projeto ou se revela uma falta de apetite do mercado por um empreendimento que exige altos investimentos e retorno de longo prazo.

Por Gabrielle Tricanico – Especial Política, Infraestrutura e Desenvolvimento Regional.

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