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UBATUBA: DENÚNCIAS NA SANTA CASA EXPÕEM CRISE, ENQUANTO POSTS EXIBEM R$ 11,8 MILHÕES PARA A SAÚDE

Reportagem cobra esclarecimentos sobre ginecologia, exames, plantões e demissões, mas Prefeitura e hospital seguem sem resposta objetiva

Denúncias recebidas pela reportagem sobre possíveis restrições e mudanças no atendimento da Santa Casa de Ubatuba expõem uma contradição no município. Enquanto pacientes e profissionais relatam incerteza sobre serviços, exames e plantões, publicações nas redes sociais ligadas ao grupo político da prefeita destacam ao menos R$ 11,8 milhões em emendas e recursos anunciados para a saúde.

Os valores exibidos nas postagens somam pelo menos R$ 11.870.823,00. Nesse total aparecem:
R$ 2 milhões atribuídos ao deputado federal Jilmar Tatto,
R$ 500 mil ao deputado estadual Alex Madureira,
R$ 1 milhão ao deputado federal Marcio Alvino,
R$ 1.972.000 à deputada federal Juliana Cardoso,
R$ 498.823 para o Fundo Municipal de Saúde,
R$ 1 milhão ao deputado estadual Ortiz Junior,
R$ 150 mil ao deputado Léo Oliveira,
R$ 250 mil ao deputado Eduardo Suplicy,
R$ 500 mil ao deputado Marcos Damasio,
R$ 3 milhões ao deputado federal David Soares
R$ 1 milhão ao presidente da Alesp, André do Prado.

Há ainda uma arte que fala em R$ 27.859.380,00 em recursos conquistados em 2024 e 2025. Esse valor, porém, aparenta ser um acumulado mais amplo e não entra novamente na soma principal para evitar duplicidade com cifras já divulgadas nas demais postagens.

O problema é que, paralelamente à propaganda sobre verba, a reportagem encaminhou pedido formal de esclarecimentos à Prefeitura de Ubatuba e à Santa Casa após receber denúncias sobre a situação da unidade. Entre os pontos questionados estão o suposto fim do ambulatório de ginecologia desde janeiro, a possibilidade de redução do atendimento obstétrico, com relatos de que a partir de abril poderiam ser mantidos apenas partos normais, a restrição de tomografias e exames laboratoriais, dúvidas sobre plantões médicos, desligamento de profissionais e relatos de pendências salariais.

No email enviado à Prefeitura e à Santa Casa, a reportagem pediu esclarecimentos objetivos sobre a situação do ambulatório de ginecologia, eventuais mudanças no atendimento obstétrico, a existência de protocolos que restrinjam exames, a capacidade atual de atendimento da unidade, possíveis impactos à população e informações sobre pagamentos e desligamentos de funcionários.
Segundo a apuração da reportagem, o e-mail foi enviado na terça-feira, 17 de março. Na quarta-feira, 18, a Prefeitura respondeu apenas que entraria em contato com a Santa Casa e que daria uma posição caso a unidade se manifestasse. Até esta sexta-feira, 20 de março, não houve retorno objetivo sobre nenhum dos pontos levantados. A Santa Casa também não respondeu.

O silêncio pesa ainda mais porque as denúncias tratam de áreas sensíveis da assistência. Entre os relatos recebidos, há informação de que pacientes estariam sendo obrigadas a procurar atendimento ginecológico em outros municípios, como Caraguatatuba. Também há queixas sobre pedidos de tomografia negados no pronto-socorro sem autorização de médico hospitalista, além de limitações em exames de sangue e urina.
A crítica que emerge desse cenário é direta. Para divulgar emenda, publicar card, posar para foto e atribuir mérito político, a comunicação funciona com rapidez. Para responder se a população está ou não perdendo acesso a atendimento, exames e profissionais, prevalece o silêncio.
A população tem o direito de saber mais do que o valor estampado em arte de rede social. Precisa saber quando o recurso entra, onde será aplicado, qual parte já está disponível, o que realmente chegou ao caixa da saúde e, principalmente, por que continuam surgindo relatos de dificuldade de atendimento na principal unidade hospitalar da cidade.
Sem transparência, a cifra vira propaganda. E propaganda não substitui consulta, exame, plantão médico nem resposta à imprensa.
Até a publicação desta matéria, Prefeitura de Ubatuba e Santa Casa seguiam sem apresentar esclarecimentos concretos sobre as denúncias.

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