Uma pesquisa apoiada pela Fapesp indica que a minociclina, um antibiótico, pode auxiliar no tratamento de ataques de pânico quando utilizada em doses menores do que as empregadas contra infecções bacterianas.
O estudo, realizado com animais na Unesp e com humanos na UFRJ, mostrou que o medicamento teve efeito semelhante ao do clonazepam, um dos remédios mais utilizados para o transtorno. Os resultados foram publicados na revista científica Translational Psychiatry.
Segundo os pesquisadores, a ação da minociclina está relacionada ao seu efeito anti-inflamatório no cérebro, especialmente nas micróglias — células que apresentam maior inflamação em pessoas com o transtorno do pânico. Nos testes, houve redução na intensidade das crises induzidas, tanto em camundongos quanto em humanos.
Outro ponto relevante é que as doses utilizadas no estudo são menores, o que pode reduzir riscos como resistência bacteriana. Além disso, a substância pode se tornar uma alternativa para pacientes que não respondem ao tratamento convencional — cerca de 50% dos casos, segundo os pesquisadores.
Diferentemente do clonazepam, que atua diretamente em neurotransmissores e pode causar efeitos colaterais como dependência, a minociclina segue uma via distinta, focada na redução da inflamação cerebral.
Os resultados abrem caminho para novos estudos clínicos e para o desenvolvimento de tratamentos baseados em mecanismos anti-inflamatórios no sistema nervoso.
