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São Paulo aposta na Hidrovia Tietê-Paraná e cria centro de pesquisa para reduzir custos e fortalecer logística regional

Com R$ 3,9 milhões destinados às pesquisas, parceria entre Governo de SP e USP vai estudar integração com ferrovias, novas embarcações, eclusas e polos produtivos; projeto mira expansão do transporte de cargas e desenvolvimento das regiões atendidas pela hidrovia

Por Gabrielle Tricanico | INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL | SÃO PAULO

O Governo do Estado de São Paulo deu um novo passo para transformar as hidrovias em parte mais relevante da estratégia logística paulista. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI-USP) formalizaram uma parceria para implantação do Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sistemas Hidroviários Interiores (HIDROSIS).

Com execução prevista entre 2026 e 2030, o novo centro terá atenção especial à Hidrovia Tietê-Paraná, um corredor estratégico para o transporte de cargas e para a conexão de áreas produtoras do interior com outros modais logísticos.

O projeto pretende atacar questões que vão diretamente ao custo e à eficiência do transporte: competitividade das hidrovias, integração com outros modais, operação das eclusas, desenvolvimento de novos polos produtivos e comerciais e criação de embarcações mais eficientes e sustentáveis.

Na prática, a pesquisa acadêmica será direcionada a problemas concretos da infraestrutura paulista.

Hidrovia como instrumento de desenvolvimento do interior

O alcance do projeto vai além da navegação.

Ao estudar a implantação de Centros Produtivos e Comerciais (CPCs) ao longo da hidrovia e sua integração com outras redes de transporte, o HIDROSIS poderá produzir informações importantes para decisões sobre novos investimentos, localização de empreendimentos e desenvolvimento econômico das regiões conectadas ao sistema hidroviário.

A lógica é ampliar a capacidade de utilização da Hidrovia Tietê-Paraná como corredor de circulação da produção e estimular uma logística integrada.

Isso pode ter reflexos especialmente importantes para o interior paulista, onde estão concentradas cadeias produtivas dependentes de transporte em grande escala.

Quanto maior a eficiência da infraestrutura disponível, maior também tende a ser a capacidade das regiões produtoras de competir na movimentação de mercadorias.

Cinco frentes serão investigadas

O novo centro trabalhará inicialmente em cinco grandes eixos de pesquisa.

Entre eles está a avaliação da competitividade do transporte hidroviário, comparando sua utilização e integração dentro da estrutura logística.

Outra frente será dedicada ao desenvolvimento de redes integradas de transporte, ponto estratégico para que a hidrovia não funcione isoladamente, mas conectada a ferrovias, rodovias e terminais.

Os pesquisadores também estudarão a implantação de Centros Produtivos e Comerciais ao longo da hidrovia.

Um dos trabalhos mais tecnológicos será o desenvolvimento de modelos computacionais para otimizar a operação das eclusas, estruturas fundamentais para permitir a navegação em trechos com diferentes níveis de água.

O quinto eixo olha para o futuro das próprias embarcações.

Estão previstas pesquisas relacionadas à eficiência energética, utilização de combustíveis alternativos e até tecnologias para navegação autônoma.

Integração hidroferroviária entra no radar

Um dos resultados esperados chama atenção pela importância estratégica para São Paulo: estudos de viabilidade para expansão e integração hidroferroviária.

A integração entre hidrovias e ferrovias pode aumentar as alternativas disponíveis para movimentação de grandes volumes de mercadorias e diminuir a dependência de um único modal.

O HIDROSIS também deverá desenvolver bases de dados georreferenciadas para apoiar o planejamento logístico.

Serão produzidos ainda diagnósticos técnicos sobre a Tietê-Paraná, simuladores de tráfego hidroviário e estudos destinados a subsidiar novas políticas públicas.

A intenção é fornecer ao Estado instrumentos científicos para decidir onde, como e em quais projetos investir.

R$ 3,9 milhões para pesquisas

A parceria entre a Semil e a USP não prevê transferência direta de recursos entre as duas instituições.

O financiamento das atividades científicas ocorrerá por meio de Termo de Outorga firmado entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a USP.

O valor previsto é de R$ 3,9 milhões.

A Universidade de São Paulo ficará responsável pela coordenação científica e execução das pesquisas. Já a Semil fará a interlocução institucional e apoiará a operacionalização das atividades, buscando aproximar as pesquisas das necessidades efetivas da administração estadual.

O centro ficará sediado na Escola Politécnica da USP.

Pesquisa pode virar ferramenta para decisões do Estado

O coordenador do HIDROSIS, André Bergsten Mendes, afirma que a proposta é justamente reduzir a distância entre a produção científica e os desafios enfrentados pela infraestrutura paulista.

Segundo ele, a parceria permitirá transformar conhecimento produzido na universidade em estudos, métodos e ferramentas que possam orientar decisões sobre o sistema hidroviário e ampliar de maneira sustentável o aproveitamento da Tietê-Paraná.

Para o subsecretário de Logística e Transportes, Denis Gerage Amorim, a união entre universidade e poder público deve contribuir para tornar o transporte hidroviário mais relevante para a competitividade e integração do Estado.

A expectativa é que os estudos ofereçam evidências técnicas para decisões que podem repercutir durante décadas na infraestrutura paulista.

Por que a Hidrovia Tietê-Paraná importa para as regiões?

A discussão sobre hidrovias está diretamente relacionada ao desenvolvimento regional.

Um sistema hidroviário mais eficiente pode ampliar alternativas para o escoamento de grandes volumes de produção, estimular investimentos próximos aos corredores logísticos e favorecer a instalação de novas estruturas de armazenagem, processamento e distribuição.

É justamente por isso que a criação de polos produtivos e comerciais ao longo da hidrovia está entre as linhas de investigação.

O impacto potencial não se restringe aos municípios localizados imediatamente às margens dos rios. Uma infraestrutura logística integrada pode alcançar cadeias econômicas de diferentes áreas do interior, principalmente quando conectada a terminais ferroviários e rodoviários.

O desafio do HIDROSIS será transformar esse potencial em projetos tecnicamente e economicamente viáveis.

SERVIÇO | O QUE É O HIDROSIS

Nome: Centro de Ciência para o Desenvolvimento de Sistemas Hidroviários Interiores (HIDROSIS)

Instituições: Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) e Escola Politécnica da USP (POLI-USP)

Principal foco: Hidrovia Tietê-Paraná

Período previsto: 2026 a 2030

Investimento em pesquisa: R$ 3,9 milhões

Financiamento: Fapesp, por meio de Termo de Outorga com a USP

Principais estudos: competitividade hidroviária, integração entre modais, polos produtivos, otimização de eclusas, embarcações sustentáveis, combustíveis alternativos e navegação autônoma.

Governo de São Paulo e USP criam centro de pesquisas com R$ 3,9 milhões para fortalecer a Hidrovia Tietê-Paraná, reduzir custos logísticos, integrar modais e impulsionar o desenvolvimento regional.

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