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Santo André amplia aterro sanitário e garante mais dois anos de operação

Nova área de 8 mil metros quadrados terá capacidade para receber 500 mil toneladas de resíduos e reforça a gestão ambiental do único aterro público municipal do Grande ABC.

Por Gabrielle Tricanico | Grande ABC | Santo André

Santo André concluiu uma nova etapa de ampliação do Aterro Sanitário Municipal, garantindo mais dois anos de vida útil ao equipamento justamente no ano em que o espaço completa quatro décadas de funcionamento.

A nova área, com aproximadamente 8 mil metros quadrados, já começou a receber resíduos orgânicos e terá capacidade para armazenar cerca de 500 mil toneladas de materiais. O aterro é administrado pelo Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André, o Semasa.

O equipamento ocupa uma posição estratégica na política ambiental da cidade. Trata-se do único aterro sanitário administrado diretamente por uma prefeitura no Grande ABC, o que reduz a dependência de empresas privadas para a destinação final dos resíduos produzidos no município.

Todos os anos, o Semasa coleta mais de 200 mil toneladas de materiais em Santo André. A manutenção do aterro público representa uma economia superior a R$ 70 milhões anuais, segundo a administração municipal. O valor corresponde ao que seria gasto caso os resíduos precisassem ser transportados e destinados a aterros particulares.

Os recursos economizados podem ser aplicados em programas de reciclagem, compostagem, educação ambiental, ampliação de ecopontos e outras políticas públicas voltadas à sustentabilidade.

Entre os projetos desenvolvidos pelo município estão o Moeda Verde, que permite a troca de materiais recicláveis por alimentos; o Meu Condomínio Recicla, voltado ao fortalecimento da coleta seletiva em condomínios; e o Composta Santo André, que incentiva o reaproveitamento dos resíduos orgânicos.

Apesar da ampliação, o prolongamento da vida útil do aterro também depende diretamente da redução da quantidade de resíduos enviados diariamente ao local. A separação correta entre materiais recicláveis, resíduos orgânicos e rejeitos pode diminuir de forma significativa o volume destinado ao aterramento.

O prefeito Gilvan Ferreira destacou que a Prefeitura vem buscando novas áreas e fortalecendo programas de coleta seletiva, mas ressaltou que a participação da população é fundamental para garantir a continuidade da operação do aterro.

Além da etapa já entregue, Santo André realiza estudos para uma nova expansão. A próxima fase deve ocupar uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados e poderá acrescentar mais cinco anos à vida útil do equipamento.

Esse período pode ser ainda maior caso o município consiga reduzir o volume anual de resíduos encaminhados ao aterro.

As obras exigem uma série de procedimentos técnicos e ambientais, como escavação, compactação e impermeabilização do solo. Também são utilizadas mantas especiais para evitar a contaminação das águas subterrâneas e sistemas de drenagem para captar o chorume produzido pela decomposição da matéria orgânica.

Localizado no bairro Cidade São Jorge, o aterro faz parte da Central de Tratamento de Resíduos de Santo André. O complexo conta com duas lagoas de chorume, duas cooperativas de reciclagem, um ecoponto exclusivo para pneus e uma Unidade de Tratamento de Resíduos da Construção Civil.

A unidade recebe e processa entulhos recolhidos nos ecopontos municipais. Parte do material é reaproveitada em obras de pavimentação e manutenção urbana, reduzindo a retirada de novos recursos naturais e evitando o descarte irregular de resíduos da construção.

A história do local também representa uma transformação ambiental importante para Santo André. Antes da implantação do aterro, a área abrigava um lixão e, posteriormente, uma usina de compostagem.

Com a criação do aterro sanitário, em 1986, Santo André se tornou a primeira cidade do Grande ABC a eliminar um depósito irregular de resíduos a céu aberto. Até 1999, a gestão era realizada diretamente pela Prefeitura. A partir daquele ano, o Semasa passou a administrar o equipamento.

A nova ampliação reforça um dos principais desafios das grandes cidades: garantir a destinação adequada dos resíduos, reduzir impactos ambientais e, ao mesmo tempo, estimular a população a produzir menos lixo e ampliar a reciclagem.

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