Por Gabrielle Tricanico | Litoral Norte
Enquanto o debate político sobre a privatização da Sabesp ainda divide opiniões, uma realidade começa a chegar a comunidades que historicamente ficaram à margem da infraestrutura pública no Litoral Norte: água tratada e coleta de esgoto.
Um investimento de R$ 33,7 milhões promete beneficiar cerca de 24 mil moradores de São Sebastião e Ubatuba até 2027, com a ampliação dos serviços de saneamento básico em áreas informais e comunidades que aguardam há décadas por esse tipo de atendimento.
Em São Sebastião, as obras vão contemplar regiões como Sertão do Cambury, Topolândia, Baleia Verde e Vila Sahy, com a implantação de 2.300 novas ligações de água e outras 700 de esgoto. Já em Ubatuba, os investimentos chegarão aos núcleos Botafogo, Sumidouro, Cachoeira dos Macacos, Vale do Sol e Sesmarias, onde estão previstas 3.400 ligações de água tratada e 3.600 de coleta de esgoto.
Mais do que números, o projeto representa uma transformação social para milhares de famílias. Em muitas dessas localidades, moradores convivem há anos com fossas improvisadas, risco de contaminação de nascentes e ausência de infraestrutura adequada.
A expectativa da Sabesp é acelerar a universalização do saneamento básico no Litoral Norte, antecipando para 2029 a meta estabelecida pelo Novo Marco Legal do Saneamento, que prevê atendimento de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033.
ANÁLISE DA GUARDIÃ
Quando se fala em saneamento, muitas vezes o tema não ganha a mesma atenção que obras viárias ou grandes investimentos turísticos. Mas a verdade é que poucas políticas públicas têm impacto tão direto na saúde da população quanto a chegada da água tratada e do esgoto coletado.
No Litoral Norte, onde a preservação ambiental é um dos maiores patrimônios econômicos da região, investir em saneamento significa também proteger praias, rios, manguezais e a Mata Atlântica.
A chegada dessas redes a bairros e comunidades historicamente esquecidos representa um avanço importante para reduzir desigualdades e melhorar indicadores de saúde pública. Menos esgoto lançado na natureza significa menos contaminação, menos doenças e mais qualidade de vida.
O desafio agora será acompanhar a execução das obras e garantir que os prazos anunciados sejam cumpridos. Afinal, para quem espera há décadas por infraestrutura básica, saneamento não é apenas uma obra. É dignidade.
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