Obra conecta Dutra, Fernão Dias e Ayrton Senna e amplia integração com o restante do Rodoanel; impacto deve alcançar Alto Tietê, Guarulhos, Zona Norte da Capital e grandes corredores de cargas do Estado
Por Gabrielle Tricanico | REGIONAL | GRANDE SÃO PAULO
O avanço das obras do Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas representa muito mais do que a conclusão de uma rodovia na periferia da Capital. O projeto cria um novo desenho para a mobilidade de Guarulhos, Arujá e São Paulo e interfere diretamente nos deslocamentos entre o Alto Tietê, a Região Metropolitana e alguns dos principais corredores rodoviários do país.
Nesta quinta-feira, 3 de setembro, o governador Tarcísio de Freitas vistoria as obras na altura do km 156+120, com acesso pela Rodovia Fernão Dias. A programação inclui visita ao Centro de Controle Operacional e à usina de concreto.
O Trecho Norte completo terá aproximadamente 44 quilômetros e passa diretamente pelos municípios de São Paulo, Guarulhos e Arujá. O primeiro segmento, entre as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, já estabelece uma conexão estratégica entre dois dos maiores corredores rodoviários que chegam à Região Metropolitana.
GUARULHOS ESTÁ NO CENTRO DA NOVA CONFIGURAÇÃO
Guarulhos aparece como um dos principais pontos dessa transformação.
O Rodoanel Norte conecta a região da Rodovia Presidente Dutra à Fernão Dias e também se articula com o Trecho Leste na região da Rodovia Ayrton Senna, formando uma alternativa para veículos que anteriormente dependiam da malha urbana da Capital e, principalmente, da Marginal Tietê para atravessar a metrópole.
A mudança é especialmente relevante para o transporte de cargas. A estimativa divulgada pelo Governo do Estado para o primeiro trecho é de aproximadamente 40 mil veículos por dia, sendo mais da metade caminhões e carretas.
Na prática, Guarulhos passa a ocupar posição ainda mais estratégica entre Dutra, Fernão Dias, Ayrton Senna, Rodoanel e o sistema logístico ligado ao Aeroporto Internacional.
ARUJÁ E ALTO TIETÊ TAMBÉM SENTEM O IMPACTO
Arujá é outro município diretamente atravessado pelo sistema e ganha importância por sua posição na conexão entre o Rodoanel e os corredores da Dutra e Ayrton Senna.
O reflexo, porém, ultrapassa os limites de Arujá.
Para municípios do Alto Tietê, como Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Suzano, o ganho é principalmente de integração regional, porque o sistema Ayrton Senna/Rodoanel funciona como porta de entrada para os demais eixos metropolitanos.
Isso significa uma alternativa logística para quem sai do Alto Tietê em direção a Guarulhos, Fernão Dias, interior paulista e demais trechos do Rodoanel, sem depender exclusivamente das rotas tradicionais que atravessam áreas mais congestionadas da metrópole.
Documentos de planejamento territorial já apontavam, inclusive, que Arujá e Itaquaquecetuba poderiam experimentar impactos econômicos importantes devido à melhoria de acessibilidade proporcionada pelo Rodoanel, especialmente para atividades dependentes de logística.
ZONA NORTE DA CAPITAL É OUTRA REGIÃO ESTRATÉGICA
Na cidade de São Paulo, os efeitos estarão concentrados especialmente no eixo Norte/Noroeste.
O segundo segmento do Trecho Norte avança da região da Fernão Dias em direção à Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, aproximando o corredor das regiões de Perus e Pirituba e da integração com o Trecho Oeste do Rodoanel.
É justamente essa conexão que completa uma parte fundamental do quebra-cabeça.
Com o sistema integrado, veículos provenientes da Dutra, Ayrton Senna e Fernão Dias ganham uma alternativa para seguir em direção às rodovias que atendem o Oeste paulista e outras regiões sem necessariamente utilizar as Marginais.
MARGINAL TIETÊ PODE SER UMA DAS PRINCIPAIS BENEFICIADAS
Um dos maiores impactos metropolitanos está na possibilidade de retirar caminhões de passagem da malha urbana paulistana.
Imagine uma carreta que chega pela Dutra ou Fernão Dias e precisa seguir para outra região do Estado. Sem uma alternativa periférica completa, parte desses deslocamentos acaba pressionando corredores urbanos.
O Rodoanel foi concebido justamente para permitir que esse tráfego contorne a área central da metrópole.
Por isso, Marginal Tietê e acessos da Zona Norte estão entre os corredores que podem sentir os efeitos da redistribuição do tráfego pesado. O primeiro segmento Norte já permite deslocamentos entre Dutra e Fernão Dias sem passagem pelas marginais.
UM CORREDOR QUE LIGA REGIÕES
O impacto regional pode ser resumido em diferentes frentes:
Guarulhos ganha integração direta entre grandes corredores rodoviários e fortalece sua posição logística.
Arujá fica ainda mais inserida no eixo Dutra–Ayrton Senna–Rodoanel.
Itaquaquecetuba, Suzano e Mogi das Cruzes podem ser beneficiadas indiretamente pela maior integração do Alto Tietê com o sistema Ayrton Senna e o Rodoanel.
Zona Norte de São Paulo, especialmente o eixo Fernão Dias e posteriormente Perus/Pirituba, passa a contar com uma nova distribuição do tráfego.
Marginal Tietê tende a deixar de receber parte dos caminhões que apenas atravessam São Paulo para acessar outras rodovias.
E o efeito chega ainda mais longe: ao integrar Norte, Leste, Oeste e Sul do sistema, o Rodoanel fortalece corredores que levam ao Porto de Santos, interior paulista e às ligações interestaduais pelas rodovias Dutra e Fernão Dias.
OBRA PASSA A SER DECISIVA PARA A LOGÍSTICA REGIONAL
É por essa dimensão que a vistoria realizada por Tarcísio deve ser analisada regionalmente.
A agenda prevê passagem pelo Centro de Controle Operacional e pela usina de concreto, com encerramento previsto para 11h30.
Mais do que acompanhar concreto e asfalto, o Governo do Estado acompanha uma obra capaz de alterar a forma como cargas e veículos atravessam a maior região metropolitana do país.
Para Guarulhos, Arujá, Alto Tietê e Zona Norte de São Paulo, a questão central passa a ser quanto dessa nova infraestrutura conseguirá efetivamente retirar veículos das vias urbanas, reduzir tempos de viagem e transformar a localização dessas cidades em vantagem logística e econômica.
