Fiscal da prefeitura admite que fez vistoria apenas ‘no campo visual’ e 26 obras ligadas aos responsáveis são paralisadas na capital.
A Polícia Civil de São Paulo anunciou que vai indiciar ao menos quatro pessoas por homicídio com dolo eventual no inquérito que apura o desabamento do prédio na Penha, Zona Leste da capital. Entre os alvos da decisão estão o sócio oculto Ronaldo Vivacqua, o engenheiro Cristiano Vivacqua, a proprietária formal Isis Brandão e a fiscal da prefeitura Viviane Rodrigues de Palma. Para os investigadores, os envolvidos tinham conhecimento do risco iminente de colapso da estrutura e assumiram o risco de produzir o resultado fatal. Como desdobramento administrativo, a Prefeitura de São Paulo determinou o embargo imediato de 26 empreendimentos vinculados às construtoras do grupo.
Em depoimento prestado à polícia nesta terça-feira (15), a fiscal da Subprefeitura da Penha admitiu que assinou o relatório referente à demolição da estrutura sem ter entrado no canteiro de obras. Viviane alegou ter feito uma verificação meramente visual do local e negou ter atestado a segurança da edificação, apesar de o relatório técnico de 2024 ter registrado que a demolição havia sido efetuada na integralidade — fato desmentido posteriormente pela própria defesa da construtora. A servidora foi afastada preventivamente de suas funções por 120 dias pela gestão municipal.
Enquanto a Justiça manteve a prisão de Ronaldo Vivacqua após audiência de custódia, os outros dois responsáveis pela construtora seguem considerados foragidos. Em contrapartida, a defesa das empresas alega que a decretação das prisões é prematura, sustenta que o empreendimento possuía autorizações válidas e argumenta que rachaduras relatadas no entorno podem ter relação com intervenções vizinhas no terreno. O caso segue sob apuração policial e perícia técnica da Polícia Científica.

