Investigação aponta tentativa de atentado contra promotor do Gaeco, vazamento de informações sigilosas e possível cooptação de agentes ligados ao sistema de Justiça
Uma nova fase do combate ao crime organizado em São Paulo revelou um cenário preocupante: a suspeita de infiltração de integrantes e colaboradores do Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas estratégicas do Estado. A Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, resultou na prisão de um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam atuado para favorecer integrantes da facção criminosa, além de participar de um suposto plano para atentar contra a vida de um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), responsável por investigações sensíveis envolvendo o PCC.
A operação é um desdobramento de ações anteriores que já haviam identificado movimentações criminosas ligadas a Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como um dos principais líderes da organização criminosa. O foco agora está na possível atuação de agentes públicos que, em vez de combater o crime, teriam colaborado com a estrutura da facção.
De acordo com os investigadores, o policial preso ocupava cargo de chefia na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas justamente durante apurações que miravam integrantes do PCC e investigavam planos de atentado contra membros do Ministério Público.
Já o ex-estagiário atuava em uma promotoria criminal do MP em Campinas e, segundo a investigação, teria sido cooptado para fornecer informações privilegiadas. A suspeita é de que o acesso interno ao sistema de Justiça tenha sido utilizado para monitorar procedimentos e beneficiar criminosos.
O caso reacende um alerta antigo das autoridades: a capacidade de infiltração do PCC em setores públicos considerados estratégicos. Nos últimos anos, operações policiais e do Ministério Público já identificaram tentativas da facção de acessar informações sigilosas, influenciar investigações e estabelecer redes de proteção dentro de órgãos estatais.
Para especialistas em segurança pública, a gravidade da investigação vai além das prisões realizadas nesta semana. O episódio reforça a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle interno, inteligência institucional e monitoramento permanente de servidores que atuam em áreas sensíveis do Estado.
A investigação segue sob sigilo parcial e novas fases da operação não estão descartadas.
Por Gabrielle Tricanico
Jornalista investigativa, especialista em órgãos públicos, transparência e licitações públicas
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