Grupos formados por adolescentes de 13 a 15 anos ampliam episódios de violência na Itália e expõem desafios para a segurança pública, educação e inclusão social. Especialistas apontam que o fenômeno vai além da criminalidade e reflete uma crise social que preocupa autoridades italianas.
Por Gabrielle Tricanico | Internacional | Nápoles (Itália)
O crescimento das chamadas “baby gangs” voltou ao centro do debate sobre segurança pública na Itália após o esfaqueamento de um adolescente de 14 anos durante uma briga no centro de Nápoles. O caso reacendeu a preocupação das autoridades com o avanço de grupos criminosos compostos por menores de idade, muitos deles com idades entre 13 e 15 anos.
Embora o fenômeno também seja registrado em cidades como Roma, Milão, Turim e Palermo, especialistas apontam que Nápoles permanece como o principal epicentro desse tipo de criminalidade juvenil. A combinação entre vulnerabilidade social, evasão escolar, exclusão econômica e a influência histórica da Camorra, organização mafiosa que atua na região da Campânia, contribui para o fortalecimento desses grupos.
As “baby gangs” são frequentemente associadas a roubos, furtos, agressões, vandalismo, tráfico de drogas e ataques com armas brancas. Em muitos casos, adolescentes utilizam as redes sociais para exibir confrontos, divulgar imagens de violência e buscar reconhecimento dentro das organizações criminosas, ampliando o alcance e o impacto desse comportamento entre outros jovens.
Autoridades italianas reforçaram operações policiais, intensificaram ações preventivas em escolas e ampliaram programas voltados à assistência social. No entanto, especialistas afirmam que o enfrentamento do problema depende de políticas públicas permanentes, capazes de oferecer oportunidades de educação, esporte, cultura e inserção no mercado de trabalho para adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A presença histórica da Camorra também é considerada um fator determinante. Em diversos bairros de Nápoles, organizações criminosas continuam exercendo influência sobre comunidades inteiras, facilitando o recrutamento precoce de menores para atividades ilícitas.
Análise
O crescimento das “baby gangs” evidencia um desafio que ultrapassa as fronteiras italianas. O recrutamento cada vez mais precoce de adolescentes por organizações criminosas demonstra como o crime organizado se adapta às novas gerações, utilizando redes sociais, símbolos de pertencimento e a vulnerabilidade econômica como ferramentas de cooptação.
O cenário reforça a necessidade de políticas integradas que unam segurança pública, educação, assistência social e fortalecimento das famílias. Especialistas alertam que a repressão policial é indispensável, mas, sozinha, não é suficiente para romper o ciclo de violência que alimenta essas organizações.
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