Professor de Psicologia da UMC destaca que escuta, acolhimento e acesso à rede de saúde são fundamentais; em situações de emergência, população pode acionar o Samu pelo 192 e o CVV pelo 188
Por Gabrielle Tricanico | SAÚDE | MOGI DAS CRUZES
A campanha Setembro Amarelo amplia, durante este mês, o debate sobre saúde mental, valorização da vida e prevenção ao suicídio. Em Mogi das Cruzes e em toda a região do Alto Tietê, porém, o alerta é para que o cuidado não fique restrito ao calendário de setembro.
Rodolfo Mendonça Pereira, professor do curso de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), destaca que a prevenção precisa fazer parte do cotidiano das famílias, escolas, ambientes de trabalho, serviços de saúde e políticas públicas.
Segundo o especialista, o suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial. Isso significa que não existe uma causa única nem uma única estratégia capaz de preveni-lo. Aspectos psicológicos, sociais, econômicos, culturais e familiares, além das condições de acesso aos serviços de saúde, podem fazer parte desse cenário.
“O reconhecimento do sofrimento não é sinal de fraqueza, mas o começo do cuidado, o primeiro passo para se pedir ajuda”, afirma Pereira.
Nem sempre existem sinais evidentes
Outro ponto destacado pelo professor da UMC é a necessidade de evitar interpretações simplistas sobre possíveis sinais de sofrimento. Mudanças de comportamento, isolamento, perda de interesse por atividades antes importantes e manifestações de desesperança merecem atenção, mas não constituem, isoladamente, um diagnóstico.
Da mesma maneira, uma pessoa em sofrimento intenso pode não apresentar sinais facilmente percebidos por familiares, amigos ou colegas.
Por isso, a orientação é não esperar uma situação extrema para oferecer acolhimento. Quando alguém demonstra sofrimento persistente, uma aproximação respeitosa, a disposição para ouvir e o incentivo à procura de atendimento profissional podem contribuir para a construção de uma rede de proteção.
Prevenção começa antes da crise
O acompanhamento psicológico também não deve ser associado somente a situações de emergência. Fortalecer vínculos, criar espaços seguros para conversar sobre dificuldades e facilitar o acesso aos serviços de saúde mental são medidas que integram a prevenção.
Na psicoterapia, o profissional pode auxiliar na compreensão das experiências vividas, na identificação de fatores que intensificam o sofrimento e na construção de recursos para enfrentar situações difíceis.
Dependendo de cada caso, o acompanhamento pode envolver outros profissionais e serviços de saúde. O objetivo é formar uma rede de cuidado adequada às necessidades de cada pessoa.
Onde procurar ajuda
A população de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê pode procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para orientação e encaminhamento dentro da rede pública.
Em uma situação de emergência ou risco imediato, a orientação é procurar um serviço de urgência ou acionar o Samu pelo telefone 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Para o professor Rodolfo Mendonça Pereira, o Setembro Amarelo pode contribuir para uma mudança que precisa permanecer durante todo o ano: construir uma sociedade em que falar sobre sofrimento e procurar ajuda sejam entendidos como parte do cuidado com a vida.
