No quadro de economia desta terça-feira, o especialista Fábio Denardi analisou os impactos das tensões no Oriente Médio na economia brasileira, o cenário de juros, as perspectivas para a inflação e deu orientações para quem busca proteger e rentabilizar o próprio dinheiro.
Queda na Bolsa e Pressão do Petróleo
Ontem, o Ibovespa operou no vermelho e registrou uma queda de 0,61%, com 70 das 83 ações do índice em baixa, afetando setores estratégicos como bancos, varejo, construção e saúde. A aversão ao risco é impulsionada pela perspectiva de manutenção prolongada das altas taxas de juros globais. Denardi explicou que o recuo da bolsa só não foi mais grave devido à Petrobras, que se beneficiou da alta contínua do petróleo. O barril ultrapassou os 110 dólares nesta manhã (operando a 111 dólares, com alta de 3%), pressionado pelas tensões na geopolítica do Oriente Médio.
IPCA-15 e o Desafio da Inflação
A escalada do petróleo já reflete na inflação doméstica. A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, apresentou uma alta expressiva de 0,89%, pressionada pelo preço dos combustíveis, que encarece o transporte e, consequentemente, os produtos nas gôndolas dos supermercados. Diante desse cenário, a expectativa de queda da taxa Selic para o final de 2026 foi ajustada pelo mercado: a projeção, que era de 12,50%, subiu para 13%.
Decisão do Copom e Endividamento
Amanhã ocorre a reunião do Banco Central para decidir os rumos da Selic. O mercado mantém o consenso de um corte de 0,25%, baixando a taxa para 14,5%. Apesar do corte esperado, os juros seguem em um patamar muito restritivo, o que, somado à inflação, corrói o poder de compra da população e agrava a crise do endividamento brasileiro — hoje concentrado principalmente no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial. Denardi aponta que o governo precisará lançar pacotes de auxílio à população endividada, o que pode gerar novas pressões nas contas públicas.
Dólar e Oportunidades de Investimento
No câmbio, o dólar apresentou leve queda, fechando ontem cotado a R$ 4,98. O especialista projeta que a moeda americana pode recuar até a faixa de R$ 4,94 no curto prazo, mas deve retornar ao patamar de R$ 5,20 até o final do ano.
Para os investidores, a orientação do especialista é a cautela e a proteção do patrimônio:
- Renda Variável: Não é o momento ideal para novas entradas. O Ibovespa deve passar por um período de realização. A recomendação para quem já possui ações é aguardar e “segurar” os papéis.
- Renda Fixa: É a “bola da vez”. Com a taxa Selic em dois dígitos, as aplicações em Renda Fixa, especialmente aquelas atreladas à inflação, continuam sendo a opção mais segura e rentável para o investidor brasileiro.
Fechamento Milionário
Encerrando o quadro em tom descontraído, foi anunciado que o prêmio acumulado da Mega-Sena pode pagar 115 milhões de reais nesta terça-feira. Denardi e os apresentadores brincaram sobre os rendimentos: enquanto a tradicional poupança renderia cerca de 770 mil reais mensais, uma aplicação correta em Renda Fixa faria o prêmio render mais de um milhão de reais por mês, sem dores de cabeça.
