O cenário econômico e as movimentações financeiras ganharam contornos de forte volatilidade e otimismo neste balanço de mercado. A bolsa de valores brasileira sustentou uma alta de meio por cento no fechamento anterior, após chegar a subir mais de um por cento na abertura. O impulso inicial foi motivado por relatórios diplomáticos sugerindo um possível acordo de cessar-fogo no Oriente Médio, incluindo um pedido dos Estados Unidos para que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio por um período de doze a quinze anos. O reflexo imediato desse alívio geopolítico foi a forte queda de oito por cento no preço do barril de petróleo, que voltou a ser negociado abaixo da faixa dos cem dólares. O setor de commodities também foi favorecido pela valorização do minério de ferro após o retorno do feriado na China, elevando os papéis da Vale em mais de três por cento. O exterior refletiu a onda positiva com quebras de recordes em Nova York, puxadas pelo setor de tecnologia, e no Japão, cuja bolsa disparou cinco vírgula cinquenta e oito por cento.
No mercado interno, a grande surpresa ficou por conta de uma manobra atípica do Banco Central brasileiro. Pela primeira vez em dez anos, a instituição realizou um leilão reverso de swap cambial, entrando na ponta compradora para adquirir quinhentos milhões de dólares. A intervenção direta teve como objetivo frear uma queda considerada muito abrupta e especulativa da moeda norte-americana, protegendo a balança comercial e as exportações do agronegócio e da indústria. Com a manobra, o dólar operou com oscilações e fechou o dia ligeiramente em alta, cotado a quatro reais e noventa e dois centavos.
A agenda do dia também volta os olhos do mercado para a diplomacia e a política, marcadas pelo aguardado encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump em Brasília. A expectativa é de que os chefes de estado abordem temas estratégicos como a exploração de terras raras, a segurança pública e o sistema de pagamentos Pix, em um diálogo que os analistas esperam ser cauteloso e polido devido às pressões eleitorais internas. Diante de tantas variáveis, o especialista financeiro Fábio Denardi ressaltou que a tradicional caderneta de poupança deve ser descartada pelos investidores. A principal recomendação para a proteção e rentabilidade do capital no atual momento foca em títulos de renda fixa atrelados à inflação medida pelo IPCA, com oportunidades pontuais na bolsa de valores em empresas de infraestrutura, bancos e commodities que seguem apresentando resultados sólidos na casa dos bilhões.
