Em nota divulgada nesta terça-feira (30), a ex-primeira-dama anunciou que deixa a presidência do PL Mulher para se dedicar integralmente aos cuidados com o marido, Jair Bolsonaro, e com a filha. A decisão ocorre após dias de desgaste interno envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e amplia a crise na principal legenda da direita brasileira.
Por Gabrielle Tricanico
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, nesta terça-feira (30), sua saída da presidência nacional do PL Mulher. Em uma nota de esclarecimento publicada nas redes sociais, Michelle afirmou que a decisão foi tomada após reflexão com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e comunicada pessoalmente ao presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto.
No comunicado, Michelle informa que deixará o cargo para dedicar-se “integralmente aos cuidados” do marido e da filha, destacando que a família atravessa um momento delicado. Ao longo do texto, ela faz um balanço de sua gestão à frente do movimento feminino da legenda, agradece às dirigentes estaduais e municipais, à vice-presidente Priscila Costa, à equipe nacional e ao presidente do partido pela confiança recebida.
A ex-primeira-dama também afirma acreditar que o trabalho desenvolvido pelo PL Mulher continuará crescendo e reforça que seguirá em oração pelas mulheres que atuam no movimento e pelo futuro do Brasil.
A decisão acontece poucas horas após a repercussão de um vídeo em que Michelle demonstrou profundo descontentamento com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. Na gravação, ela afirmou ter sido desrespeitada durante uma conversa telefônica com o enteado, episódio que expôs publicamente uma crise inédita dentro da família Bolsonaro e da direção nacional do partido. Após a divulgação do vídeo, Flávio pediu desculpas publicamente, mas o desgaste político permaneceu.
Nos bastidores, a saída de Michelle é interpretada como um movimento de forte impacto político. Desde que assumiu o comando do PL Mulher, ela tornou-se uma das principais lideranças da direita, responsável pela expansão da participação feminina no partido e por agendas em diversas regiões do país. Seu afastamento representa uma perda estratégica para a legenda em um momento de reorganização para as eleições de 2026.
Embora a nota tenha tom de agradecimento e destaque motivos familiares, o anúncio ocorre em meio ao maior desgaste interno vivido pelo PL desde o início da pré-campanha presidencial, alimentando especulações sobre os próximos passos da articulação política do grupo liderado por Jair Bolsonaro.
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