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LIDERANÇAS EM DIADEMA ORGANIZAM CAMINHADA CONTRA O FEMINICÍDIO E A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Na edição matutina do programa Download da Notícia, a rádio Guardiã da Notícia recebeu o vereador Josa Queiroz (PT-Diadema) e Mãe Andréa, liderança religiosa local, para discutir a organização da segunda edição da Caminhada Maria Padilha. O evento, marcado para a próxima segunda-feira, dia 23 de março, tem como lema “Luz que me protege, o axé que levanta, feminicídio nunca mais”, unindo a espiritualidade de matriz africana à luta contra a violência doméstica.

Espiritualidade como ferramenta de acolhimento social Organizada pelo terreiro da Casa de Mãe Andréa, localizado na Vila Conceição, em Diadema, a caminhada utiliza a figura de Maria Padilha — uma Pombagira central nas religiões de matriz africana — como símbolo de força e resistência. Mãe Andréa explicou o papel fundamental dos terreiros no acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade: “Muitas mulheres nos procuram com medo, sem trabalho, sem casa e, muitas vezes, dependentes de parceiros agressores. A nossa parte, além da proteção espiritual, é acolher e ajudar materialmente. As mulheres têm muita confiança nos dirigentes religiosos, e nós precisamos apoiá-las em todos os sentidos”.

Expectativa de público e combate à intolerância A primeira edição da caminhada, realizada no ano passado, focou no combate à intolerância religiosa e surpreendeu os organizadores pela recepção positiva da população. “Estávamos preocupados com a recepção devido ao extremismo de alguns setores neopentecostais, mas fomos recebidos com extremo carinho e respeito nas ruas, o que demonstra que temos um Estado plural”, relatou o vereador Josa Queiroz, que também é filho do terreiro.

Para este ano, com o foco voltado ao combate ao feminicídio, a expectativa é dobrar o público, reunindo cerca de 800 pessoas, entre umbandistas, candomblecistas e simpatizantes da causa.

O papel do Legislativo e a desconstrução do machismo Durante a entrevista, o vereador destacou o papel da Câmara Municipal de Diadema no enfrentamento da violência contra a mulher. Ele ressaltou a necessidade de ir além da criação de leis punitivas, focando em um processo de mudança cultural. “Temos que dialogar com nós, homens. O processo de convencimento de que a mulher não é propriedade e não é objeto deve partir de nós, em um esforço de desconstrução do machismo estrutural”, afirmou Josa Queiroz. O parlamentar também pontuou a necessidade de ampliar a representatividade feminina nos espaços de poder, visto que a Câmara de Diadema conta, atualmente, com apenas duas vereadoras.

Serviço A Caminhada Maria Padilha está marcada para a próxima segunda-feira, dia 23 de março, com concentração às 18h30. O ponto de partida será na sede do terreiro, localizada na rua Guaipurus, número 561, no bairro Vila Conceição, em Diadema. O evento é aberto a todos os terreiros da região e simpatizantes que desejam manifestar apoio à luta contra o feminicídio.