No encerramento do bloco de saúde do Download da Notícia, Fredy Junior recebeu o Dr. José Maria Soares Júnior, coordenador científico de ginecologia da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP). A entrevista abordou o Março Amarelo, mês de conscientização sobre a endometriose, uma doença crônica que afeta entre 10% e 15% das mulheres em idade reprodutiva e cujos impactos vão muito além da dor física.
A DOENÇA SILENCIOSA E SEUS SINTOMAS
O Dr. José Maria alertou que, em suas fases iniciais, a endometriose pode ser totalmente silenciosa. No entanto, o principal sinal de alerta é a dor pélvica e a dismenorreia (cólica menstrual) progressivas e incapacitantes. O especialista orientou as ouvintes: se a dor durante o período menstrual piora a ponto de impedir o trabalho, a frequência às aulas ou as atividades cotidianas, não é algo normal e deve ser investigado imediatamente. Outros sintomas incluem sangramento volumoso e, em estágios avançados, a dificuldade para engravidar.
INFERTILIDADE E PRESSÃO SOCIAL
Um dos pontos mais sensíveis abordados na entrevista foi a relação entre a doença, a fertilidade e a saúde mental da mulher. O médico explicou que o adiamento da maternidade (frequentemente por questões profissionais ou financeiras) sem o diagnóstico prévio da endometriose pode resultar em infertilidade.
Além do sofrimento físico, a mulher enfrenta uma enorme pressão social e familiar para ter filhos, o que gera ansiedade extrema. O Dr. José Maria destacou o impacto do bullying e da incompreensão no ambiente de trabalho ou escolar, onde a ausência da mulher devido às dores intensas muitas vezes é mal interpretada. “O equilíbrio emocional é fundamental. Uma mente sob estresse e ansiedade não responde bem a nenhum tratamento, por melhor que seja a equipe médica”, frisou.
TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR E MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA
O tratamento da endometriose exige uma abordagem ampla e a longo prazo, estendendo-se até a menopausa. O especialista detalhou as opções disponíveis:
- Medicamentos: Analgésicos para casos leves; contraceptivos hormonais para bloquear a menstruação em casos moderados; e bloqueadores hormonais severos (que induzem um estado semelhante à menopausa) para casos resistentes, embora exijam acompanhamento rigoroso devido a efeitos colaterais como a osteoporose.
- Cirurgia: Indicada para a endometriose profunda (que atinge bexiga e intestino) ou quando a medicação não faz efeito. Contudo, o médico alertou que a cirurgia não é uma cura definitiva e o acompanhamento contínuo é necessário para evitar recidivas.
- Equipe Multiprofissional: O acompanhamento ideal inclui ginecologista, fisioterapeuta, educador físico, nutricionista e suporte psicológico.
- Estilo de Vida: A prática regular de atividades físicas, dieta anti-inflamatória adequada e técnicas de relaxamento são cruciais para o sucesso do tratamento e o controle da dor.
BUSQUE INFORMAÇÃO
Para finalizar, o Dr. José Maria Soares Júnior deixou uma mensagem clara: “A dor que piora não é normal”. Ele incentivou as mulheres a buscarem ajuda de seus ginecologistas e recomendou o site da SOGESP, além de seu próprio perfil no Instagram (@drjosemariasoaresjunior), para o acesso a informações seguras e detalhadas sobre a doença.
