Principal vitrine da gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a privatização da Sabesp, hoje alvo de críticas de prefeitos e de consumidores, tem se tornado mais uma dor de cabeça para a administração estadual, que já acumula série de críticas, atrasos e de questionamentos públicos.
A tendência é que os problemas gerados pela Sabesp sejam explorados na campanha deste ano, quando Tarcísio pretende disputar a reeleição ao governo.
No caso da Sabesp, Tarcísio afirmava que, após a conclusão do processo de venda de parte da participação acionária do governo na companhia estadual de abastecimento, o sistema iria melhorar e não haveria aumento nas contas. A tendência é que os problemas gerados pela Sabesp sejam explorados na campanha deste ano, quando Tarcísio pretende disputar a reeleição ao governo.
Mas o que se vê é um conjunto de reclamações, especialmente nas cidades do Grande ABC, pela elevação das cobranças. A Guardiã da Notícia tem mostrado, há meses, casos de moradores da região, especialmente de São Bernardo do Campo, de contas exorbitantes, vazamentos constantes e a demora no atendimento às demandas.
A privatização foi concretizada no dia 23 de julho de 2024, quando o governo finalizou a venda de 32% das ações na B3, bolsa de valores de São Paulo. Somente nesta operação, foram depositados R$ 14,7 bilhões nos cofres públicos.
Diversas entidades de proteção ao consumidor, o Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento e o Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente acionaram o Ministério Público (MP) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) para cobrar providências sobre os problemas para os usuários.
Um relatório de uma empresa, contratada pelo próprio governo de São Paulo, enxergou que o tema era um dos principais focos de crítica ao governo nas redes sociais da administração estadual. Um ano e meio depois da privatização, o volume de reclamações bateu recorde.
Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), as reclamações contra a Sabesp mais do que triplicaram no primeiro ano após a privatização. Em julho de 2024, foram 567 queixas. Em agosto de 2025, este número subiu para 1.651. Foi o ano com mais reclamações na agência reguladora contra a Sabesp desde 2011.
O plano de contingência da empresa, gerado pela crise de abastecimento, agravou o volume de críticas. Mas a Sabesp tem dito que o volume de investimentos de R$ 70 bilhões, previsto até 2029, vai garantir mais acesso de água e tratamento de esgoto na área de concessão.
