Por Thiago Prezia
Entramos no período de pré-campanha das eleições de 2026. E, como já virou tradição no cenário político, começa um movimento que o eleitor brasileiro conhece bem: o surgimento repentino de protagonistas que, até pouco tempo, não estavam em lugar nenhum.
De repente, todos aparecem.
Todos fizeram.
Todos participaram.
Todos resolveram.
Ou pelo menos dizem que sim.
A pré-campanha revela mais do que intenções políticas, ela expõe comportamentos. E o que se vê, mais uma vez, é um número considerável de agentes públicos e pré-candidatos que não têm lado, não têm trajetória consistente e muito menos compromisso com uma linha de atuação clara.
Têm, na verdade, conveniência.
Encostam onde o cenário está favorável.
Recuam quando a pressão aumenta.
Mudam o discurso conforme o público.
E, quando necessário, desaparecem.
É o famoso “jogo de sobrevivência política”, que pouco tem a ver com gestão, responsabilidade ou compromisso com a população.
Mas há uma diferença importante em relação ao passado: o eleitor mudou.
Hoje, não existe mais espaço para versões fantasiosas da realidade. A informação está acessível. A internet consolidou um novo tipo de fiscalização social, onde histórico pesa, e muito.
Quem fez, aparece.
Quem não fez, também.
A figura do político “em cima do muro” perde força em um cenário onde a sociedade exige posicionamento. Não se trata de radicalização, mas de coerência. O eleitor quer saber onde cada um esteve quando decisões importantes precisaram ser tomadas.
Outro ponto que chama atenção é o crescimento de discursos pautados por interesses individuais disfarçados de soluções coletivas. Propostas que parecem boas no discurso, mas que, na prática, beneficiam grupos específicos, muitas vezes, os próprios proponentes.
O eleitor já começa a identificar esse padrão.
A eleição de 2026 tende a ser menos sobre promessas e mais sobre trajetória. Menos sobre discurso e mais sobre entrega. Menos sobre marketing e mais sobre histórico.
Ir para as ruas continua sendo fundamental. A participação popular é parte essencial da democracia. Mas é preciso ir com consciência. Sem se deixar levar por narrativas prontas, sem cair em discursos oportunistas e, principalmente, sem aceitar a velha demagogia travestida de novidade.
O momento exige análise.
Exige memória.
Exige responsabilidade.
A escolha que será feita nas urnas não deve considerar apenas quem fala melhor, mas quem esteve presente quando realmente importava.
Porque, no fim, a eleição não revela apenas os candidatos.
Revela também o nível de consciência de quem escolhe.
