Em entrevista ao programa Download da Notícia, conduzido pelo apresentador Fredy Junior, o médico oftalmologista e presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Roberto Vessani, trouxe esclarecimentos fundamentais sobre a Semana Mundial do Glaucoma. O evento, organizado globalmente, visa disseminar informações sobre uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, incentivando a realização de exames preventivos de rotina.
A NATUREZA SILENCIOSA DA DOENÇA
O glaucoma é descrito pelo especialista como uma patologia que acomete o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as informações visuais do olho até o cérebro. Utilizando uma analogia didática, o doutor Roberto Vessani comparou o olho a uma webcam e o nervo óptico ao cabo que transmite os dados; a doença atua destruindo progressivamente as fibras desse cabo.
A principal característica do glaucoma é ser assintomático em suas fases iniciais. Na maioria dos casos, o paciente não sente dor ou alterações bruscas na visão, o que leva ao diagnóstico tardio, muitas vezes quando a perda visual já é severa e irreversível.
GRUPOS DE RISCO E FATORES DE ATENÇÃO
A incidência da doença aumenta progressivamente a partir dos 40 anos de idade. No entanto, o especialista destacou grupos específicos que devem redobrar a vigilância:
- Histórico Familiar: Ter parentes de primeiro grau (pais ou irmãos) com a doença eleva o risco de seis a oito vezes em relação à população geral.
- Etnia: Indivíduos afrodescendentes possuem maior predisposição ao desenvolvimento do quadro.
- Condições Médicas: Pacientes com diabetes, hipertensão ou alta miopia apresentam fatores de risco correlacionados.
- Uso de Medicamentos: O uso prolongado de colírios ou remédios que contenham cortisona pode elevar a pressão intraocular.
- Traumas Oculares: Acidentes que envolvam pancadas diretamente nos olhos podem gerar sequelas que resultam em glaucoma futuramente.
Estimativas indicam que o glaucoma atinge cerca de 3,5% da população mundial. No Brasil, acredita-se que aproximadamente 3 milhões de pessoas convivam com a doença, sendo que uma grande parcela ainda não possui o diagnóstico oficial.
DIFERENCIAÇÃO ENTRE TIPOS DE GLACOMA
Durante a conversa com Fredy Junior, o presidente da SBG explicou que existem diferentes manifestações da patologia:
- Glaucoma de Ângulo Aberto: É a forma mais comum e perigosa por ser totalmente indolor e lenta, retirando a visão periférica de forma gradual.
- Glaucoma de Ângulo Fechado: Relacionado à anatomia do olho, pode causar o chamado glaucoma agudo. Nestes casos, ocorre uma elevação súbita da pressão ocular, acompanhada de dor intensa, vermelhidão e necessidade de atendimento médico de emergência para evitar a perda rápida da visão.
TRATAMENTO E QUALIDADE DE VIDA
Embora o glaucoma não tenha cura, o doutor Roberto Vessani enfatizou que o tratamento é altamente eficaz para controlar a progressão. Dependendo do estágio identificado, os médicos podem utilizar colírios específicos, aplicações de laser ou intervenções cirúrgicas. O objetivo principal é reduzir a pressão interna do olho e estabilizar o nervo óptico.
Para aqueles que já possuem comprometimento visual, existem serviços de reabilitação e grupos especializados em visão subnormal que auxiliam na readaptação e manutenção da autonomia do paciente.
INFORMAÇÃO E SUPORTE AO CIDADÃO
A Sociedade Brasileira de Glaucoma mantém um portal de informações dedicado a pacientes e familiares. O canal oferece orientações sobre exames necessários, tipos de colírios e cuidados diários. O especialista reforçou que a consulta anual com o oftalmologista é a única forma segura de detectar a doença precocemente.
Ao encerrar a entrevista, Fredy Junior destacou a importância da prestação de serviço em saúde pública, reforçando que o diagnóstico precoce é a melhor ferramenta para garantir que o paciente mantenha uma vida normal e produtiva mesmo convivendo com a condição.
