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CÓDIGO DA CIDADE: A FALSA SENSAÇÃO DE SEGURANÇA E A REALIDADE DA VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO PAULISTANO

O quadro “Código da Cidade”, transmitido nesta quarta-feira pela FM 82.3 e nas plataformas da Guardiã da Notícia, trouxe para o centro do debate a violência no trânsito de São Paulo. A conversa entre o apresentador Fredy e o especialista em trânsito Abou Anni abordou a discrepância entre a percepção pública de aumento dos acidentes e os dados oficiais, além de expor as falhas na fiscalização e a urgência de uma educação viária mais eficiente.

Abaixo, os principais pontos e análises levantados durante o programa.


Estatísticas de Trânsito: Queda nos Números, Mas Alerta Ligado

Apesar da sensação nas ruas ser de um trânsito cada vez mais violento, os dados do InfoSiga apontam para uma leve redução na letalidade em São Paulo. No primeiro bimestre de 2026, houve uma queda de 10,4% nas mortes no estado em comparação ao mesmo período do ano anterior. Na capital paulista, a redução foi de 4,4%. Outro dado positivo foi a diminuição de quase 47% nas fatalidades envolvendo ciclistas.

Ainda assim, o número absoluto é alarmante: 817 pessoas perderam a vida no trânsito paulista em apenas dois meses. Em contraste com o estado, o cenário nas rodovias federais brasileiras é crítico, registrando um aumento de 38% nas mortes entre dezembro e janeiro.

Lei Seca e a Sensação de Impunidade

Um dos pontos mais discutidos foi a percepção de que a fiscalização da Lei Seca afrouxou. A diminuição visível das operações de blitz nas ruas de São Paulo tem gerado uma sensação de impunidade, encorajando motoristas a assumirem o risco de dirigir alcoolizados ou sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), como evidenciado em casos recentes de grande repercussão envolvendo atropelamentos fatais.

O especialista Abou Anni explicou que a redução nas fiscalizações tem raízes estruturais: o Comando de Policiamento de Trânsito (CPTRAN), que antes contava com quatro batalhões divididos em várias companhias, hoje opera com apenas um batalhão para atender uma cidade com mais de 12 milhões de habitantes. Com a fiscalização atuando apenas “por amostragem”, condutores infratores sentem-se menos ameaçados pela lei, mesmo com o endurecimento das penas criminais ocorrido em 2017 para homicídios no trânsito causados por embriaguez.

A Tragédia Anunciada sobre Duas Rodas

Os motociclistas continuam liderando as estatísticas trágicas. Nos dois primeiros meses do ano, 364 motociclistas vieram a óbito em São Paulo. A pressão por entregas rápidas e a remuneração baseada em produtividade têm levado muitos motofretistas a ignorar regras básicas, como o respeito ao semáforo vermelho, aumentando exponencialmente o risco de colisões e atropelamentos.

O programa destacou a ineficiência do poder público em aplicar as leis que regulamentam a atividade de motofrete, existentes desde 2009. Com uma estimativa de 300 mil entregadores apenas na capital, a falta de ordenamento e fiscalização rigorosa resulta em um alto custo de vidas. O atropelamento de pedestres, especialmente idosos, figura como a segunda maior causa de mortes, muitas vezes decorrente dessa mesma imprudência.

A Solução Passa pela Educação em Sala de Aula

Para reverter esse quadro, o endurecimento das leis ou a redução dos custos da CNH não são suficientes. A solução apontada no programa foca em três pilares: mudança de comportamento, fiscalização ostensiva e, acima de tudo, educação de trânsito de qualidade.

Foi feita uma crítica direta ao modelo atual de formação de condutores, cada vez mais dependente de plataformas digitais. A defesa é por um retorno ao ensino presencial robusto, com aulas de direção defensiva e legislação que mostrem as consequências reais e severas das infrações, garantindo que o motorista compreenda suas responsabilidades antes de assumir o volante, e não apenas quando recebe uma notificação de suspensão da carteira.


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