A violência contra a mulher raramente começa com agressão física. Ela se manifesta primeiro no controle disfarçado de cuidado, no ciúme excessivo tratado como prova de amor, nas perguntas invasivas, na crítica constante às roupas, amizades e escolhas. Aos poucos, surgem o isolamento, o monitoramento das redes sociais, as chantagens emocionais e as ameaças veladas. Reconhecer esses sinais é fundamental, porque, na maioria dos casos de feminicídio, já havia um histórico de comportamentos abusivos ignorados ou minimizados.
No programa, Camila Cabral conversa com o escritor e jornalista Klester Cavalcanti sobre o padrão de escalada da violência: do controle à intimidação, da intimidação à agressão. A romantização do ciúme e da posse ainda alimenta esse ciclo perigoso, dificultando que vítimas e até familiares percebam o risco real. Muitas mulheres demoram a reagir por medo, dependência emocional ou por acreditarem que o comportamento agressivo é apenas “jeito forte” ou fase passageira.
Os relatos do público reforçam que ameaças como “se não for minha, não será de ninguém” ou comportamentos obsessivos após o término não são exageros momentâneos, mas sinais de alerta. Violência não começa no primeiro tapa — começa no primeiro controle, na primeira ameaça, no primeiro medo. Falar sobre esses indícios é um passo essencial para romper o ciclo e salvar vidas.
