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Caiado promete Ministério da Segurança Pública e cita promotor do Gaeco de SP para comandar pasta em eventual governo

Candidato do PSD à Presidência apresenta em São Paulo proposta para separar Segurança Pública da Justiça e afirma que pretende convidar Lincoln Gakiya, promotor conhecido pelo enfrentamento ao PCC; anúncio coloca o combate ao crime organizado no centro da disputa eleitoral de 2026.

Por Gabrielle Tricanico | Eleições 2026 | São Paulo

A segurança pública começa a ocupar posição estratégica na corrida pelo Palácio do Planalto em 2026. O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta segunda-feira (10), em São Paulo, que pretende criar um Ministério da Segurança Pública independente e convidar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para comandar a pasta caso seja eleito.

A declaração foi feita durante a apresentação das propostas de Caiado para a área de segurança. Ao trazer para o centro de seu discurso um integrante do Ministério Público de São Paulo conhecido pela atuação contra o crime organizado, o presidenciável tenta transformar um tema especialmente sensível para o eleitor paulista em uma das vitrines de sua campanha nacional.

Gakiya construiu parte importante de sua trajetória no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Caiado afirmou admirar a atuação do promotor e o classificou como um profissional “determinado” e “resiliente”.

O anúncio também tem forte peso regional. São Paulo concentra algumas das principais investigações e operações contra estruturas ligadas ao crime organizado, e o Gaeco exerce papel relevante nesse enfrentamento. Ao fazer o anúncio no Estado e escolher Gakiya como símbolo de sua proposta, Caiado busca aproximar sua agenda nacional de segurança da realidade enfrentada pelos municípios paulistas, pela Região Metropolitana e pelo interior.

Caiado quer separar Segurança Pública do Ministério da Justiça

A proposta apresentada pelo candidato do PSD prevê retirar a área de segurança pública da estrutura do Ministério da Justiça e criar uma pasta específica para o setor.

O Brasil já adotou modelo semelhante. Em 2018, durante o governo Michel Temer, foi criado o Ministério Extraordinário da Segurança Pública, então comandado por Raul Jungmann. A estrutura reuniu órgãos federais ligados à segurança e ao sistema penitenciário.

Ao recuperar a ideia para 2026, Caiado sinaliza que pretende ampliar o espaço político e administrativo destinado ao combate ao crime organizado, além de fortalecer a coordenação federal das políticas de segurança.

Gakiya e o enfrentamento ao PCC

Durante o evento, Caiado destacou a participação de Lincoln Gakiya em ações contra lideranças do PCC. O promotor esteve envolvido no processo que levou à transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e de outras lideranças da organização criminosa para o sistema penitenciário federal.

Gakiya também passou a viver sob forte esquema de segurança em razão de ameaças relacionadas à sua atuação profissional.

Ao anunciar antecipadamente quem gostaria de ter à frente da Segurança Pública, Caiado tenta dar um rosto à principal bandeira apresentada para o setor e reforçar sua imagem política ligada ao endurecimento do combate às organizações criminosas.

Segurança entra de vez na eleição presidencial

A movimentação indica que o tema deverá ocupar espaço relevante nos debates presidenciais. Crime organizado, controle de fronteiras, sistema penitenciário, atuação das forças federais e integração entre União, estados e municípios tendem a provocar embates entre os candidatos.

Para São Paulo, Grande ABC, Guarulhos, Alto Tietê, Vale do Paraíba, litoral e interior paulista, o debate ganha dimensão regional porque decisões tomadas em Brasília interferem diretamente na atuação da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, sistema penitenciário federal e estratégias nacionais contra organizações criminosas que operam além das fronteiras municipais e estaduais.

A escolha de São Paulo para apresentar a proposta também carrega significado eleitoral. Maior colégio eleitoral do país, o Estado será território decisivo na disputa presidencial. Ao associar seu projeto de segurança a um promotor paulista reconhecido pelo combate ao PCC, Caiado abre uma frente para disputar o eleitorado que coloca a segurança entre suas prioridades na eleição de 2026.

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