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“A gente está com 40% do quadro a menos”: Sindicato dos Metroviários Alerta para Colapso e Paralisação

Presidente do sindicato denuncia 10 anos sem concursos públicos e defasagem salarial; greve programada para quarta-feira ainda pode ser evitada em assembleia.

O transporte público de São Paulo enfrenta a ameaça de uma paralisação massiva na próxima quarta-feira (13). Em entrevista ao Download da Notícia, o presidente do Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, expôs o cenário de sucateamento que afeta as operações do Metrô. A principal reivindicação da categoria não se limita apenas a ajustes salariais ou participação nos lucros, mas sim à abertura urgente de concursos públicos. Segundo Dagnaldo, o Metrô opera com um déficit severo de pessoal, tendo perdido 40% de seu quadro de funcionários na última década – caindo de 8.000 para 5.500 trabalhadores. Essa defasagem atinge criticamente setores sensíveis, como a segurança nas estações e a manutenção dos trens, obrigando as equipes a trabalharem no limite de sua capacidade.

Além da falta de efetivo, a categoria denuncia o congelamento salarial de dez anos e repudia o avanço das privatizações no sistema metroferroviário. O presidente do sindicato traçou um duro paralelo entre a operação estatal do Metrô, que não registra descarrilamentos em suas linhas comerciais graças à manutenção preventiva rigorosa, e as constantes falhas observadas nas linhas 8 e 9 da CPTM e na Linha 4-Amarela, controladas pela iniciativa privada. A possível expansão do funcionamento do Metrô para 24 horas aos finais de semana também foi abordada: embora o sindicato veja o projeto com bons olhos para o lazer e a segurança da população, Dagnaldo alertou que a operação contínua é insustentável sem novas contratações e sem garantir janelas para a manutenção preventiva das vias.

Apesar da greve estar agendada para quarta-feira, a paralisação não é irreversível. O sindicato realizará uma assembleia decisiva na noite de terça-feira (12) para avaliar se o Governo do Estado e a direção do Metrô apresentarão propostas concretas para as demandas. A diretoria reforça o apelo à população para que apoie a luta por um transporte público, estatal e seguro, pressionando as autoridades a retomar as negociações.

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